Chemyunion: inovação brasileira junto às multinacionais de cosméticos

Empresa brasileira com sede em Sorocaba (SP), a Chemyunion faz parte de redes globais de inovação da indústria cosmética. A sua participação ocorre no desenvolvimento de matérias-primas, basicamente ativos e aditivos, usadas em produtos para pele e cabelo de marcas como L’Oréal, Johnson&Johnson, Estée Lauder, Vita Derm, Victoria’s Secret, Unilever, O Boticário, Avon e Natura.

“Nosso principal objetivo é levar confiança e credibilidade científica do Brasil para o mundo”, diz Maria del Carmen Velazquez Pereda, diretora científica da Chemyunion. “Essa preocupação nossa é também uma vantagem competitiva, pois o Brasil tem a chance de surpreender, coisa que outros países já deixaram de ter. É a vez de o Brasil, além de se apresentar como o terceiro maior mercado mundial de cosméticos, mostrar-se como um dos líderes na pesquisa na área”, completa.

O negócio da Chemyunion envolve grandes esforços e investimentos em pesquisa. A empresa investe, em média, 7% do seu faturamento líquido em P&D, sendo que o retorno costuma ocorrer a partir do terceiro ano após o lançamento do produto. Anos atrás, conta a diretora científica da empresa, um veículo de comunicação perguntou o motivo de a Chemyunion investir tanto em inovação. “A resposta foi clara e direta: para podermos perder o atraso que o Brasil tem em nossa área”, relata. “Hoje podemos dizer com certeza, pois foi confirmado por nossos clientes internacionais, que a Chemyunion está igual ou melhor que as mais famosas empresas de desenvolvimento de ativos cosméticos do mundo”, afirma.

A empresa tem se apoiado em programas de financiamento público para diminuir os riscos envolvidos. Conseguiu aprovação de seis projetos PIPE da Fapesp e um de subvenção econômica em nanotecnologia da Finep. “Esses auxílios à pesquisa representam de 20% a 30% do valor total gasto para o desenvolvimento das inovações e potencializam a possibilidade de desenvolvermos não somente novos produtos como também novas tecnologias”, diz a doutora Pereda. De acordo com a diretora científica, o trabalho com as agências de fomento, além de ser gratificante, eleva a credibilidade da empresa frente aos clientes, pois se sabe que, para conseguir os auxílios, é necessário passar por avaliações rigorosas que seguem critérios técnicos, científicos e comerciais.

A empresa trabalha com dois tipos de projetos de P&D: os taylor made, feitos sob demanda do cliente, e os projetos especiais próprios, ora focados no mercado em geral, ora em clientes ou nichos específicos. De acordo com a diretora científica, o tempo médio de realização para um projeto com alto nível tecnológico envolvido é de dois a três anos. Porém, esse prazo varia de acordo com as necessidades do cliente e as possibilidades orçamentárias.

Equipe plural, de alto nível e bem equipada

“Para atender essas múltiplas especificidades, a equipe tem que ser capaz de trabalhar como em uma orquestra sinfônica, afinando-se constantemente no ritmo da demanda e nas notas (tendências) do mercado mundial”, afirma Maria del Carmen. A equipe dirigida por ela conta com 18 pessoas trabalhando em inovação no time principal, sendo cinco doutores e onze mestres. O grupo inclui pesquisadores de especialidades variadas, como síntese e extração de ativos vegetais, nanotecnologia, alimentos, biologia celular e molecular e imunotoxicologia.

Há, ainda, outros tipos de profissionais que participam do processo de inovação na indústria cosmética. São aqueles que cuidam do marketing dos produtos. “Geralmente são esquecidos, mas, sem eles, nada poderia ser feito”, diz a Dra. Pereda. “Existem custos altíssimos associados à manutenção de um time internacional que apresenta os produtos desenvolvidos”. Dentro das redes de inovação, essas equipes fazem parte, normalmente, das indústrias de matérias primas como a Chemyunion.

Parcerias com universidades de primeira linha

Com sua estrutura de inovação robusta, a Chemyunion consegue executar internamente a totalidade dos projetos, de acordo com a diretora científica. Porém, periodicamente a equipe precisa acionar seus parceiros externos para avançar em determinados desafios científicos, como por exemplo, encontrar a planta certa para extração de um ativo que gere o efeito desejado. “Os pesquisadores das universidades são sempre consultores que disponibilizam algumas horas mensais para discutir projetos e dar seu parecer. Eles vêm até a Chemyunion e nos ajudam a pensar”, diz Maria del Carmen. “A associação com pesquisadores acadêmicos de universidades de primeira linha faz com que o projeto a ser desenvolvido tenha condição de explorar ao máximo o conhecimento disponível no Brasil para satisfazer uma área ávida por novidades e efeitos perceptíveis, a cosmética”, conclui.

Sobre os desafios de se trabalhar com parceiros, a diretora menciona a dificuldade de repassar aos centros acadêmicos a pressão imprimida pelo ritmo extremamente acelerado da inovação no ramo cosmético. A doutora abre uma ressalva: pesquisadores como os parceiros da Chemyunion na Unicamp e na Unesp de Botucatu possibilitam um trabalho colaborativo muito ágil. “O segredo do sucesso desta ligação é a compreensão por cada um dos envolvidos de que cada lado tem o seu próprio know-how e que a associação entre os pesquisadores da empresa e os da universidade poderá gerar valores e resultados que, sem ela, não seriam alcançados”.

A diretora científica comenta que, para a Chemyunion, essa associação é fácil por contar com uma equipe científica que veio da academia e ainda está ligada a ela. “Falamos a mesma língua e temos livre acesso ao meio”, diz a doutora.

Quanto à propriedade intelectual, ela explica que, quando a participação do pesquisador externo é bastante importante, é feito um contrato de royalties, nos moldes dos projetos PIPE – Fapesp. Já no caso de projetos desenvolvidos especialmente para clientes, a patente pertence ao cliente, e os colaboradores da Chemyunion envolvidos entram como pesquisadores do produto na patente.

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