Conversamos com a Eunerd, destaque do FINIT Festival 2018

Ranqueada como uma das TOP100 Open Startups em 2017 e 2018, a Eunerd conquistou durante o FINIT Festival a oportunidade de fazer um pitch para Robinson Shiba e Camilla Farani, investidores do Shark Tank Brasil.

Isso porque a Eunerd conseguiu conquistar o destaque de primeiro lugar no Speed-Dating Hub Conecta, by 100 Open Startups, rodada de negócios que aconteceu nos dias 27 e 28 de novembro em Belo Horizonte, Minas Gerais. As duas startups com maior número de interesses de grandes empresas se apresentaram para os investidores em palco ao final do segundo dia de evento.

Conversamos com Bruno Okamoto, sócio e fundador da Eunerd para entender quais foram suas motivações, estratégias e experiência tanto no Shark Tank como com a 100 Open Startups:

 

–  Bom dia, Bruno, para começarmos, conta para a gente com as suas palavras o que a Eunerd faz.

Bom dia, sou o Bruno, um dos fundadores da Eunerd, mais conhecida como Encontre um Nerd, plataforma que conecta uma rede de 14 mil técnicos de informática e infraestrutura com empresas que precisam dessa mão de obra e capilaridade pelo Brasil. A grande sacada da nossa empresa é que a gente ajuda grandes empresas a reduzir custos, e a gente troca uma modalidade de trabalho onde as empresas têm um custo fixo por uma variável. E acaba sendo muito interessante para nova economia que está vindo.

 

– Por quê você decidiu inscrever a startup na plataforma da 100 Open Startups? Que benefícios você viu para fazer a inscrição?

A gente conheceu a galera da 100 Open Startups se não me engano em 2016, quando fui convidado a participar de um dos primeiros eventos de São Paulo. E foi lá mesmo que tive contato com o que acredito que é o primeiro benefício que as startups veem, que é a possibilidade de estar conectado com outras empresas, até porque se você bate na porta de uma grande empresa e ela ainda não tem maturidade pra lidar com inovação, é uma perda de tempo. Acabamos nos inscrevendo por esse motivo.

 

– Falando especificamente do FINIT Festival 2018, você já foi com vontade de ganhar. O que te motivou e qual foi a estratégia que vocês usaram para ficar em primeiro lugar?

A gente decidiu ir pro evento um dia antes dele começar, e, oposto ao que sempre fazíamos, porque nosso objetivo nos eventos da 100 Open Startups sempre era fazer negócio, independentemente da posição de destaque, dessa vez decidimos ir para ficar em primeiro lugar, tínhamos uma meta. Isso porque a gente sabia que se ficássemos nos primeiros lugares a gente poderia participar do Shark Tank.

O Robinson Shiba, responsável pela China in Box, ia estar lá e a rede já era um cliente que a gente estava negociando há 6 meses. O fato de mostrar para o CEO como a gente lutou pra estar lá com certeza nos renderia uns pontinhos com ele, então esse foi o grande motivo. E acabou que deu super certo, a gente conseguiu chamar a atenção do Shiba, foi super legal.

Agora a estratégia que a gente usou foi cara de pau mesmo (risos). A gente foi lá os dois dias, ficamos do primeiro ao último horário, batalhamos muito e lutamos pra ficar em primeiro e conseguir esses 5 minutos com o Shiba. E mesmo esse sendo nosso foco, a nossa visão no evento era juntar o útil com o agradável: a gente podia gerar oportunidade, conhecer uma série de grandes empresas – inclusive saíram ótimos negócios disso -, e a gente também ter a oportunidade de participar do Shark Tank.

 

– Você mencionou que esteve no primeiro evento presencial que a 100 Open Startups fez e depois você continuou participando dos eventos da empresa. Por que você continua indo, que benefício você vê diretamente nos eventos presenciais?

Sendo bem transparente, eu gosto muito de gerar negócio com empresas. Por exemplo, o Paulo, da Accenture, como eu vi ele por 3 anos consecutivos em eventos, acabamos criando uma certa amizade. Inclusive fui essa semana ajudá-lo num projeto da Accenture, e mesmo não surgindo um negócio a curto prazo a gente teve uma possibilidade de relacionar. E esse é o motivo pelo qual eu continuo indo.

Acredito que a gente pode criar conexões com as grandes empresas e uma abertura com esse mercado, e até possivelmente gerar negócios. Às vezes demora um pouco mais, as vezes é mais rápido, mas quando a gente começa a manter uma certa rotina as coisas vão se encaixando.

 

– Conta para a gente um case de sucesso como esse que comentou da Accenture?

Um projeto que a gente fez que eu considero de sucesso foi com a Oncoclínicas, de cerca de 360 mil reais. Conversamos com o gerente no evento, o gerente escalonou pro CIO e o João (ex-CTO) recebeu a gente. Ele pediu pra gente fazer um projeto no qual a gente não tinha nenhuma experiência, mas era uma coisa que a gente tinha muita vontade de aprender. Colocamos todas as cartas na mesa e falamos para ele que a gente não tinha nenhuma experiência nesse segmento, mas que a gente tinha um time que poderia aprender e executar esse projeto no tempo que ele esperava.

Ele topou, achei muito legal ele topar com uma equipe que nunca tinha executado um projeto, e acabou sendo um sucesso. Foi um projeto de um ano, não tivemos nenhum atraso do nosso lado, foi extremamente satisfatório.

E o melhor foi que o João saiu da Oncoclínias e foi para a Hermes Pardini, eles também estavam no FINIT Festival e o João já tinha falado da gente nessa nova empresa, então quando a gente teve oportunidade de falar com essa empresa no evento eles inclusive já sabiam de nós e já estavam prontos pra começar uma nova rodada de negócios.

 

– Qual você acha então que é o diferencial dos eventos da 100 Open Startups?

O grande diferencial que eu enxergo é que a maioria dos eventos que eu vejo hoje forçam um pouco a barra. Você vê uns falando assim “Aqui tem grandes empresas e aqui tem startups, agora namorem (no sentido de ‘fechem negócios’)”. Eu não vou citar nomes, mas existem centenas de casos de eventos tentando puxar isso e é simplesmente irreal, não consegue acontecer na prática.

Eu vejo também muitas empresas montando um programa de inovação dentro delas porque elas pensam que “inovação a gente não consegue mais fazer de dentro pra fora, tem que fazer de fora pra dentro”, e eles ficam montando programa de aceleração e programa de startup. Eu acho isso super interessante, mas eu acho que a metodologia que a 100 propõe é uma metodologia de tipo “cara, vamos conversar e ver se faz sentido pros dois lados”, e a gente namora, e a gente casa dentro do nosso tempo, e não porque tem alguém fazendo pressão pra gente fazer negócio porque esse grupo quer atenção e quer se destacar no sistema.

A 100 Open Startups demorou um tempo para se estabelecer no sistema e ficar conhecido, mas uma vez que ele conseguiu, a qualidade das rodadas de negociação com essas grandes empresas aumentou significativamente. E o interessante é que a gente conversa direto com o tomador de decisão.

Uma coisa que eu aprendi nos eventos é que ao invés da gente chegar lá e ter um pitch pronto, como a maioria das empresas faz, “eu faço isso, isso e isso”, eu aprendi que vale muito mais a pena ver quais são os desafios que as empresas estão tendo e os problemas que elas estão buscando solucionar, porque às vezes com o seu pitch pronto você fecha uma porta se você não escuta o que o cara tem a dizer.

A 100 Open Startups oferece o ambiente para essas discussões e eu acho que são conexões muito maduras. Então eu diria que, de longe, eu não conheço nenhuma outra empresa que entrega o que a 100 entrega hoje.

 

– Que dica você daria a um empreendedor que esteja cogitando participar de um Speed-Dating?

Se eu pudesse dar um conselho pra galera que vai a primeira vez em um evento de vocês meu conselho seria: vá, é um ótimo negócio. Requer um esforço porque não é só você sentar lá, agendar e sentar com as empresas achando que todo mundo vai querer fazer negócio com você. Cada empresa tem um problema, então se você não consegue entender o problema, você não consegue gerar uma solução. Então você tem que ir com a cabeça aberta, não pode ir com nada pronto e feito na pedra, você tem que chegar e entender o problema das empresas, ver se o problema deles se adequa a sua solução e aí começar um namoro com eles.

Então vá com a coragem, paciência, muitos cartões de visita e, acima de tudo, cara de pau para ir atrás das pessoas, porque é uma competição e todo mundo quer atenção dos principais.

 

– Para finalizar, vocês passaram por vários marcos na trajetória da Eunerd até hoje: Foram investidos por anjo, fundo, acelerados, mudaram modelo de negócios…  O que vocês aprenderam com isso tudo?

Os aprendizados não são tão corporativos, porque quando a empresa é muito pequena na verdade os aprendizados são mais pessoais do que empresariais. Mas a grande lição que a gente aprende é que é uma linha muito fina entre você achar que está sendo resiliente e você estar dando murro em ponta de faca.

Às vezes a gente acha que está fazendo a coisa certa, e a gente dá duro acreditando nisso, e simplesmente não é a coisa certa, e você não sabe e nunca vai saber, entende? Acho que o mais difícil é saber quando pular do barco e ter que mudar da noite pro dia, ou quando você tem que continuar a insistir que talvez essa seja a direção certa. E de tanto que a gente passou por aceleradoras e fundos, e termos pivotado muitas vezes, essa de fato foi a maior lição que eu vou levar pra minha vida.

 

Saiba mais sobre a Eunerd em https://encontreumnerd.com.br/

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