Inovação aberta atrai público recorde e aponta para ampliação de debate

Além de aprofundar o estudo e entendimento sobre inovação aberta, um dos objetivos do Open Innovation Seminar é atrair um número cada vez maior de pessoas para esse debate. Não à toa, o número de participações vem crescendo ano a ano. Durante a quinta edição do evento, em novembro, o OIS reuniu cerca de 1.650 pessoas ao longo de três dias. Esse público equivale a mais que quatro vezes as 350 pessoas que se reuniram na primeira edição do OIS, em 2008. O aumento da participação acompanhou o crescimento do evento. O que começou como um seminário especializado, hoje é o principal evento global de inovação aberta, comporto por 30 atividades paralelas: 17 cursos, 11 arenas e um seminário internacional, além de um encontro acadêmico composto de cerca de 30 pesquisadores.

 Álvaro Prata, Secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, MCTI

O evento foi aberto pelo secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Álvaro Prata, que apontou um panorama do contexto brasileiro em relação à inovação. Segundo Prata, o Brasil ocupa lugar de destaque internacional como sexta maior economia do mundo, mas ainda carece de amadurecimento para sustentar esse crescimento. “O Brasil tem deficiências que vão de infraestrutura logística precária a um baixo índice de inovação nos setores produtivos. Pela primeira vez, o país assumiu a inovação como uma de suas diretrizes, e essa postura possui impacto decisivo”, afirma. “A inovação envolve riscos e ainda é vista com ressalvas pelo setor privado, que depende diretamente dela. Quando o país assume essa bandeira de forma institucional e direciona recursos e esforços, ajuda a mobilizar os outros atores a se envolverem também”.

 Bruno Rondani, Diretor do Centro de Open Innovation – Brasil

A visão de Prata vai ao encontro da opinião do diretor do Centro de Open Innovation – Brasil, organização responsável pelo OIS, Bruno Rondani. Para ele, mais que uma situação passageira, o resultado positivo no contexto internacional pode ser duradouro, desde que o país consiga aproveitar as oportunidades que estão se abrindo. “O Brasil é encarado como grande mercado consumidor e, portanto, é para cá que as nações líderes voltam suas atenções visando recuperar a competitividade abalada pela crise internacional. Devemos aproveitar esse momento para desenvolver a indústria a partir do investimento estrangeiro e apostar nas atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação, o que é fundamental para gerar competitividade no longo prazo”, afirma.

As principais empresas com histórico de trabalhar iniciativas de inovação aberta foram convidadas a compartilhar seu aprendizado com especialistas nacionais e internacionais. São exemplos Telefonica, Natura e Petrobras, que participaram do primeiro dia de seminário. Além disso, o evento reuniu líderes internacionais na observação e prática da inovação aberta, convocando-os a abordar o estado da inovação aberta no Brasil. De acordo com o belga Wim Vanhaverbeke, referência em estudos sobre inovação aberta na Europa, o tema deve ser pensado em todos os setores de produtos a serviços, incluindo as grandes e pequenas empresas. “Tanto no Brasil quanto na Europa, a inovação aberta ainda é um desafio, pois está ligada a uma mudança de cultura e a um entendimento que é difícil de ser alcançado. No caso das pequenas empresas, fazer parte de projetos de inovação aberta é muito produtivo, mas elas só se aceitam esse tipo de iniciativa quando enxergam os resultados em outras empresas”, afirma.

 Saras Sarasvathy, Pesquisadora da Universidade de Virginia (EUA)

Já a indiana Saras Sarasvathy, pesquisadora da Universidade de Virginia (EUA) e referência mundial em empreendedorismo, ressalta a necessidade de a colaboração se tornar parte da cultura do empreendedor, que tem papel fundamental na construção do mercado e na materialização da inovação. “A postura empreendedora de entender a companhia inserida em uma rede tem papel fundamental no avanço da inovação. Quando essa postura está também nos níveis de gestão das empresas, há um ganho significativo”, diz. Segundo ela, o conceito de Efetuação (Effectuation) pode ser a base da criação de iniciativas de inovação aberta nas grandes corporações.

Os especialistas apontam a criação de redes como fator de destaque na aceleração da inovação. Para o dinamarquês Gert Balling, esses ambientes estão na base do enfrentamento do desafio de aumentar a transferência de conhecimento entre universidades e empresas. O pesquisador da Linkoping University, Fredrik Tell, por sua vez, aponta a integração do conhecimento como fator chave para a geração da inovação, já que, segundo ele, é nas interfaces multidisciplinares que estão as oportunidades.

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