Inovação aberta, inovação social e Desafio Brasil

Marco Túlio Pires, Assessor de Inovação e Tecnologia da Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo

Inovação, incluindo a aberta, sempre foi um tema presente na agenda da Secretaria, que há algum tempo já buscava ferramentas e soluções relacionadas. A participação no Desafio Brasil veio ao encontro dessa proposta, que era a de envolver os funcionários da casa e outros pares da sociedade em um ambiente de criação para solução de problemas.

A contratação de uma plataforma de inovação colaborativa também estava prevista, mas esses processos levam algum tempo em função das etapas que precisam ser cumpridas, como licitação, análises, pregão etc. A oportunidade de fazer parte do Desafio foi o atalho que precisávamos para o experimento, para entender como essa cultura da inovação poderia ser disseminada, já que era algo completamente novo para um órgão público.

Cases como Natura, Intel e FGV, instituições que têm notório saber, serviram como exemplo para pensar em como adaptar isso dentro da gestão pública, já que não basta simplesmente adotar o modelo que funciona no setor privado.

Apesar de termos chegado já no fim da primeira etapa do Desafio, conseguimos envolver nossas 26 subsecretarias. Dentro das 10 prioridades da secretaria, selecionamos a inclusão produtiva, que trata das formas de capacitar e colocar pessoas, que estão em condição de extrema pobreza ou de risco, não no mercado de trabalho, mas no mundo do trabalho.

Buscamos fazer uma inclusão social efetiva, criando cooperativas, centros de trabalho e oportunidades de essas pessoas conseguirem seu sustento. Chegamos com essa missão na secretaria, mas queríamos ouvir o input da sociedade e também dos funcionários da casa em relação a ideias que pudessem ser executadas em torno da inclusão produtiva.

Já recebemos mais de 70 propostas em cerca de duas semanas após o lançamento do desafio. As ideias serão reunidas e trabalhadas com especialistas da casa, de modo que possamos entender se elas pertencem ao nosso escopo. Se pertencerem, irão para uma fase de formalização de projeto, onde participaremos aqueles que estavam no processo de criação. Depois colocaremos os projetos em funcionamento e premiaremos os participantes.

Isso é inovação social, proporcionar às pessoas, meios de criar ideias que tenham uma capilaridade na sociedade como um todo, não só ideias que parecem boas no papel, mas que podem encontrar terreno fértil para promover o desenvolvimento social.

Corroboramos com o conceito de que a inovação ocorre quando se consegue unir produção em massa com utilidade, quando se encontra uma função para uma ideia. Inovação está em como se faz uma ideia sair de um laboratório de pesquisa e encontrar mercado.

A inovação social segue nessa linha, com ideias que, de fato, possam mudar a vida de pessoas em situação de dificuldade. É isso que estamos buscando com esse desafio, criar uma cultura para que outros desafios possam ser lançados.

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