Omnisys: desenvolvimento de radares junto à multinacional Thales

Quando, em 2002, a então pequena empresa brasileira Omnisys decidiu enfrentar o desafio de desenvolver, do início ao fim, um radar meteorológico, o conceito de inovação aberta ainda não havia sido disseminado. Mas foi a aplicação permanente dos mesmos princípios expostos pelo professor Henry Chesbrough em seu livro Open Innovation que transformou a outrora pequena Omnisys em um centro de excelência em fornecimento de radares de controle de tráfego aéreo da líder mundial Thales.

“O caso da Omnisys é um bom exemplo de como uma pequena empresa, a partir de colaborações científicas com instituições de pesquisa e parcerias tecnológicas com outras empresas, pode criar inovações de classe mundial a ponto de despertar o interesse de multinacionais como o grupo Thales, que possui mais de 25 mil pesquisadores e engenheiros espalhados nos grandes centros econômicos do planeta”, contextualiza Bruno Rondani, gerente do Departamento de P&D da Omnisys.

Nascida em 1997, a Omnisys, durante seus primeiros anos de existência, se dedicou ao desenvolvimento e fabricação de equipamentos para aplicações aeroespaciais e navais e a prestar serviços de manutenção, instalação e treinamento.

Em 2002, a empresa decidiu empreender o desenvolvimento de um radar meteorológico, dando um passo fundamental em sua consolidação como uma fabricante de radares. Para isso, constituiu junto com a Fundação Atech uma joint-venture. Cada instituição se responsabilizou por uma parte do desenvolvimento e financiamento do projeto. Naquele momento, a Omnisys possuía cerca de trinta funcionários e um faturamento anual pouco superior ao valor necessário para investir no projeto. O grande desafio para a empresa era formar uma equipe com as competências necessárias e captar recursos para financiar a sua parte no projeto.

Bruno Rondani, que hoje lidera os setenta técnicos e engenheiros do P&D da Omnisys, era naquela época estagiário da empresa e propôs a direção que buscasse a equipe a partir de um programa de mestrado junto à Unicamp e USP e o financiamento, dentro do programa PIPE da Fapesp. A estratégia foi bem sucedida e a Omnisys conseguiu montar um time de cerca de dez engenheiros, dos quais cinco eram bolsistas de programas de mestrado na Unicamp e USP. Além disso, a empresa conseguiu aprovação de três projetos PIPE da Fapesp. Como resultado do projeto, a joint-ventureproduziu três radares. Um deles foi instalado em Mogi das Cruzes (SP), outro foi destinado ao aeroporto de São Luís (MA) e o terceiro radar, derivado do produto inicial, foi adquirido pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), da USP, para ser usado no diagnóstico de prevenção de enchentes em várias regiões do estado de São Paulo.

O impacto do projeto

Com o desenvolvimento do radar, a Omnisys ganhou visibilidade e credibilidade perante o mercado e as agências governamentais de fomento, além de capitalizar conhecimento tecnológico e experiência na gestão de projetos de inovação aberta, diz Rondani.

Depois desse primeiro caso, a Omnisys continuou desenvolvendo soluções tecnológicas na área de radares em conjunto com instituições de pesquisa e com o suporte financeiro da Fapesp e Finep por meio dos programas PIPE e Subvenção.

Em 2006, o grupo Thales comprou 51% do capital da Omnisys. A direção da empresa brasileira permaneceu com seus fundadores. Mas o grande salto ocorreu quando a Thales, que possui 25 mil pesquisadores, trezentas invenções por ano, umas 15 mil patentes e cerca de trinta convênios com universidades e instituições públicas dos países desenvolvidos, transformou a Omnisys em centro de excelência para desenvolvimento de radares do grupo. A empresa participa de projetos de inovação para produtos que são vendidos na América Latina, Ásia e Europa.

“O fato de esta história ter acontecido no Brasil deve encorajar outras pequenas empresas brasileiras a encontrarem seus lugares nas redes mundiais de inovação aberta, apoiando-se em nossas ICTs e em nossas políticas de incentivo à inovação e fazendo parcerias com grandes empresas”, conclui Rondani.

Veja a apresentação deste caso de inovação aberta feita no Open Innovation Seminar 2009:http://www.slideshare.net/Allagi/omnisys-estrategia-de-pd-aberto-omnisys-bruno-rondani-open-innovation-seminar-2009

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