Open Innovation Seminar 2012

Arenas de inovação aberta reúnem importantes nomes nacionais e internacionais

Durante o 5º Open Innovation Seminar, principal evento de inovação aberta da América Latina, que neste ano será realizado de 12 a 14 de novembro, grande parte do tempo e espaço serão dedicados à realização das arenas de inovação aberta – workshops multidisciplinares liderados por organizações-chave que reunirão atores da hélice tripla (governo-empresa-universidade) para debater desafios brasileiros específicos e, de forma conjunta, buscar alternativas práticas.

Uma das arenas foi proposta e está sendo liderada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI): “Institutos de pesquisa e intermediários de inovação”. A ideia é debater o papel dessas organizações no elo entre ciência e inovação, a exemplo de renomados institutos de pesquisa estrangeiros, que incorporam em sua missão a construção de redes internacionais de inovação, o suporte às PMEs e a geração de spin-outs, agindo como “corretores do conhecimento”.

A professora da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp, Adriana Bin, explica que um dos desafios dos institutos está no fato de que muitos não nascem com a missão de promoção da inovação, mas, na medida em que propõem soluções para problemas reais, acabam desempenhando esse papel. “Eles estão focados em questões de prioridade nacional e, para isso, estão criando mecanismos, políticas de propriedade industrial e transferência de tecnologia. Muitos institutos já possuem uma boa interação com parceiros de indústria ou serviços, mas ainda precisam modificar internamente seus indicadores de inovação”, diz

Grandes desafios brasileiros

Outro tema que entra em foco é o conceito de Ecologia Industrial, baseado no entendimento do processo produtivo como um ciclo fechado – tal qual o meio ambiente – no qual não existem perdas ou resíduos. Para o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTI, Carlos Nobre, é importante para a iniciativa privada enxergar os benefícios relativos a custos, tempo e eficiência que esse processo implica, de modo a impulsionar esse desenvolvimento. “Pontualmente a gente vê bons exemplos, mas o processo industrial nunca adotou de fato essa noção de cadeia de materiais e energia, que são processados, geram efluentes e entram em outra cadeia chegando, no limite, a resíduos zero. Para atingir esse paradigma, que é urgente, é preciso penetrar profundamente as políticas industriais – e isso exige um exercício enorme de mobilização”, afirma.

O entendimento de processos encadeados está ligado ao conceito de Cidades Inteligentes, que será abordado na arena “Cidades Atrativas, Sustentáveis e Inteligentes”, proposta pelo Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-brasileiro (Cisb). A gerente de Portfolio e Parcerias do Cisb, Alessandra Holmo, explica que a população urbana continua a aumentar ao mesmo tempo em que o atual modelo de cidades não suporta esse crescimento e seus diversos impactos: oferta de energia, serviços, mobilidade, passivos ambientais. “Diversos países têm discutido e já tomam providências para se preparar para tornar as cidades espaços atrativos, inteligentes e sustentáveis. O que estamos propondo nesta arena é chamar parceiros nacionais e internacionais para pensar o desafio e as possíveis soluções para o caso brasileiro sob o ponto de vista do governo, mas também das empresas e seus modelos de negócio”, diz.

Também proposta pelo Cisb com foco em desafios nacionais, será realizada a arena “Transportes e Logística”. O objetivo é abordar o desafio de atingir um tráfego mais seguro nas cidades e rodovias, além de pensar o transporte de mercadorias perigosas e a articulação das cadeias de abastecimento. Contextualiza a discussão o lançamento pelo Governo Federal do Programa de Investimentos em Logística (PIL) para aumentar a escala do aporte público e privado em infraestrutura de transportes e promover a integração de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, reduzindo custos e ampliando a capacidade de transporte.

O desafio da promoção da saúde brasileira entra em foco na arena proposta pelo Centro Universitário FEI. O professor e pesquisador da FEI, Roberto Bernardes, acredita que o setor enfrenta uma equação de difícil solução, que é a combinação entre a demanda por inovações na prestação do serviço e no uso de tecnologias avançadas gerando valor para os usuários e sendo, ao mesmo tempo, bem sucedida do ponto de vista dos negócios. “Hospitais de ponta têm profissionalizado a gestão da rotina operacional e da pesquisa com a criação de núcleos de inovação tecnológica. Porém, os grandes avanços que atingem demoram muito a se difundir pelo sistema de saúde nacional”, afirma. “Esse é um desafio de grandes proporções que demanda encontros de inovação aberta para que seja superado”.

Contexto de oportunidades

O Brasil vive o maior ciclo de megaeventos realizados em uma mesma década: a Copa do Mundo 2014, as Olimpíadas 2016 e, ainda a confirmar, a Expo 2020 – pode atrair até 30 milhões de visitantes a São Paulo. Trata-se de um importante impulso para o desenvolvimento econômico e social do país, além de uma excelente oportunidade para o lançamento de empreendimentos criativos e inovadores envolvendo setores de turismo, espaços de lazer, atividades de entretenimento, serviços para eventos, restaurantes, bares e hotelaria, além de segurança, infraestrutura urbana, mobilidade, sustentabilidade ambiental e tecnologia da informação e comunicações. Com o objetivo de abordar esse enorme leque de oportunidades que se abre, as práticas para aproveitá-las da melhor forma possível e as prioridades a serem definidas, será realizada uma arena especialmente dedicada ao tema.

Outra arena que se baseia em um contexto novo de oportunidade é a “Mecanismos Públicos de Incentivos à Inovação”. Segundo o diretor da empresa de consultoria Allagi, Regis Assao, “ela coloca em evidência as possibilidades que a legislação brasileira recente abre para que empresas, universidades e outras organizações se beneficiem com o estabelecimento de parcerias para a pesquisa e o desenvolvimento, através da combinação de mecanismos de fomento e financiamento da inovação em âmbitos federal e estadual”. Um exemplo interessante está na Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), que neste ano ampliou seus investimentos em P&D por meio de convênio com a Fapemig. “Esse tipo de parceria é especialmente interessante porque, do ponto de vista da Fapemig, a Cemig está aportando recursos para seus projetos de interesse enquanto, do ponto de vista da Cemig, é a Fapemig quem está entrando com um aporte relevante para o desenvolvimento de nossos projetos”, afirma o gerente de Gestão Tecnológica da Cemig, Jaelton Avelar. “É uma experiência pioneira no país e acreditamos que se trata de um modelo que pode ser expandido”.

Ecossistemas e internacionalização

Os ecossistemas de inovação serão tema da arena liderada pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) e pelo Fórum Nacional de Gestores de Inovação e Transferência de Tecnologia (Fortec). Desde os anos 1970, o Brasil vem tentando aproximar as universidades das inovações industriais com iniciativas que estimulam a economia local baseada em pesquisas acadêmicas. O Brasil tem hoje 74 parques tecnológicos instalados, mas ainda há inúmeras questões que precisam ser amadurecidas, como integração de conhecimentos, apropriação de resultados, programas de financiamentos, escassez do tempo e compatibilidade cultural entre as instituições. Para a professora e pesquisadora da Universidade de São Carlos, Ana Lúcia Torkomian, o principal desafio diz respeito à integração: “Há várias experiências de parques tecnológicos caminhando para criarem ecossistemas robustos, mas em cada iniciativa ainda é necessário um ajeitamento das relações entre os diversos parceiros”.

Um programa importante que promete ajudar o Brasil em relação a esses desafios nos médio e longo prazos é o Ciência sem Fronteiras, lançado em 2011 para promover o intercâmbio acadêmico e para a inovação de estudantes e pesquisadores brasileiros. Até o momento, já foram assinados acordos com 12 países, quatro parceiros privados, quatro indústrias locais e cinco empresas multinacionais. A arena liderada pelo CNPq colocará em discussão os desafios para novas parcerias e novos modelos para potencializar o resultado desses intercâmbios na construção de redes internacionais de inovação.

Também visando as relações internacionais, a Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Fundação Dom Cabral irão colaborar com a arena que irá abordar a presença de multinacionais no Brasil. Essas empresas têm cada vez mais aberto as fronteiras de P&D dentro de suas cadeias de valor globais e dependem de inovação externa para seus novos produtos e processos. Estão também empenhadas em tornar mais ativos processos de licenciamento e venda de resultados de sua própria inovação a terceiros. Aproveitando esse movimento, o Brasil tem conseguido solidificar sua comunidade científica e sua base industrial e está se tornando atraente para o estabelecimento de centros de P&D dessas empresas. É por isso que o tema entra em discussão, com vistas a abordar as lições aprendidas, os desafios e as oportunidades para a continuação e o estabelecimento de novos centros de P&D no país.

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