Núcleos de inovação tecnológica (NITs)

Perfil da agência de inovação Inova Unicamp, baseado em entrevista com Roberto Lotufo,
diretor-executivo deste NIT. (www.inova.unicamp.br)

História da agência de inovação

Lotufo conta que a Unicamp desenvolve uma política de inovação desde 1984, quando foi constituída a Comissão Permanente de Propriedade Industrial. Antes da Inova, existiam outras instâncias que cuidavam da propriedade intelectual e do relacionamento com a indústria, mas a Inova Unicamp foi concebida para atuar com uma nova amplitude no processo de inovação.

A criação da Inova levou a Unicamp a tornar-se a universidade brasileira com o maior número de licenciamento de tecnologias. Desde a criação da Inova, a Unicamp manteve uma média de 50 depósitos anuais. Em dezembro de 2008, a universidade chegou ao número de 38 licenciamentos ativos e 537 depósitos de patentes vigentes. A Inova Unicamp também foi a responsável pela articulação de mais de 240 convênios de transferência de tecnologia e de desenvolvimento colaborativo entre a Unicamp, empresas e o setor público nos últimos cinco anos. A agência ganhou o premio FINEP de Inovação Tecnológica, na categoria Instituição de Ciência e Tecnologia, região sudeste, em 2006 e 2008.

Interações universidade – empresa

Segundo o diretor-executivo do NIT, os profissionais da Inova trabalham com a lacuna produzida pela diferença de objetivos, culturas, missões e linguagem da universidade e da empresa. A empresa, focada na competitividade e sustentação financeira, busca resultados rápidos para seus investimentos. Já a universidade, focada na disseminação e no avanço do conhecimento, busca projetos interessantes para complementar a formação dos alunos.

A Inova Unicamp trabalha tanto ofertando tecnologia já desenvolvida na universidade quanto buscando oportunidades de interesse das empresas.

Os dois grandes focos da agência são a transferência de tecnologias da universidade por meio de licenciamentos de patentes, softwares e marcas da Unicamp e a articulação de projetos de desenvolvimento colaborativo de novas tecnologias entre universidades e empresas.

A taxa administrativa dos projetos universidade-empresa administrados pela Funcamp (Fundação de Desenvolvimento da Unicamp) é de 6%. Adicionalmente, explica Lotufo, existem outras taxas de overhead relativas à universidade que são dependentes do teor e da natureza do projeto.

A Inova Unicamp já negociou tecnologias da Unicamp com empresas de diversos portes em áreas de atuação como a de fármacos, de alimentos, de produtos agrícolas, de engenharia (mecânica, elétrica, química), de energia, de combustíveis e biocombustíveis, de produtos automotivos e de tecnologias da informação e comunicação.

A Unicamp concentra cerca de 15% de toda a pesquisa nacional. Esta pesquisa é distribuída em diversas áreas do conhecimento. Entretanto, quando se fala em depósitos de patentes, as áreas químicas e de engenharia têm prevalência, sendo que o Instituto de Química detém quase 40% das patentes da Unicamp, seguido pela Faculdade de Engenharia Mecânica.

Casos de sucesso de open innovation

Entre 2005 e 2008 cinco tecnologias licenciadas pela Unicamp se tornaram efetivamente produtos:

1. Teste para Surdez Genética: teste neonatal que permite detectar em recém-nascidos a causa de surdez de origem genética. A tecnologia foi desenvolvida no Laboratório de Genética Humana da Unicamp e licenciada para a empresa DLE em 2004. O teste se consolidou no mercado em 2005.

2. Medicamento fitoterápico a base de Isoflavonas Agliconas: produto certificado pela ANVISA e introduzido no mercado em setembro de 2007 para tratamento dos sintomas da menopausa. O medicamento é resultante do licenciamento em 2004 de duas tecnologias desenvolvidas na Faculdade de Engenharia de Alimentos para a Steviafarma, empresa brasileira.

3. IMBRIK®: tecnologia de Nanocompósito Polimérico (NCP). O produto foi desenvolvido com a empresa Orbys, por meio de licenciamento exclusivo de uma patente do processo de produção desenvolvido junto ao Instituto de Química da Unicamp. A tecnologia pode ser aplicada em produtos que usam a borracha como matéria-prima, nos mais variados segmentos da indústria e mercados. Em 2007, o IMBRIK(R) foi aplicado numa nova bola de tênis, batizada de NANOBALL(R) e produzida pela empresa paulista LCM BOLAS.

4. Tecnologia de tratamento de efluentes industriais provenientes de indústrias têxteis: desenvolvida no Instituto de Química, foi licenciada para a Contech por meio da Inova. Chegou ao mercado em 2008.

5. Tecnologia de remediação de áreas contaminadas: também licenciada para a Contech e no mercado desde o ano passado.

Papel das políticas públicas

Incentivos à inovação, como os recursos não-reembolsáveis da FINEP, são fundamentais para viabilizar muitas tecnologias que se originam nas universidades e são depois desenvolvidas e comercializadas nas empresas, beneficiárias destas políticas, diz Lotufo.

A própria política pública de financiamento à pesquisa acadêmica deve também ser considerada neste contexto, pois é ela quem garante a “matéria-prima” para a inovação que vem da universidade.

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