3 em 1: Quais são os grandes desafios da realização de projetos colaborativos de inovação?

Uma pergunta sobre open innovation para três personalidades do cenário brasileiro de inovação.

Quais são os grandes desafios da realização de projetos colaborativos de inovação?

Benedito Fayan
Diretor de Inovação e Novos Negócios
Telefônica

“O maior desafio é a barreira cultural aos projetos colaborativos, pois a maioria das organizações tem ainda muito arraigada a aversão ao not invented here. Outro ponto importante é garantir margens de lucro saudáveis a médio prazo para todos os parceiros do projeto, pois não estamos falando de uma simples relação cliente-fornecedor e sim de uma parceria por uma vida útil do projeto, que é de anos. Como último ponto, citaria os temas de propriedade intelectual e governança sobre decisões futuras do projeto, que freqüentemente levam a longas discussões que encarecem, atrasam e muitas vezes inviabilizam ótimos projetos”.

Carlos Henrique de Brito Cruz
Diretor Científico
Fapesp

“O maior desafio é haver bom entendimento dentro da equipe sobre os objetivos, metodologia e expectativas. Projetos de pesquisa colaborativos entre universidades e empresas avançam bem quando há pesquisadores do lado acadêmico e do lado empresarial. Quando a empresa não tem pesquisadores e apenas contrata o trabalho do pesquisador acadêmico, os resultados são bem piores. É preciso haver a interação entre o pesquisador acadêmico e o pesquisador empresarial para que a sinergia entre eles possa ser aproveitada. Também é essencial que o projeto seja estabelecido reconhecendo e respeitando a natureza das organizações envolvidas”.

Luís Cláudio Sousa Costa
Gerente de Estratégia Tecnológica
Centro de Pesquisas da Petrobras

“A Petrobras é uma empresa que construiu sua história com base em uma forte inovação tecnológica. Temos consciência de que os nossos desafios tecnológicos só serão superados de forma eficaz com um trabalho integrado com os nossos fornecedores e com as instituições de ciência e tecnologia parceiras. Por isto, temos, entre outras iniciativas, um histórico de projetos multiclientes e em parceria com a academia brasileira. O conceito de inovação aberta nos permite a exploração de novas fronteiras, onde as grandes oportunidades são a incorporação de idéias externas à Petrobras e a possibilidade de atuar de forma mais ativa no mercado de tecnologia. Para isso, devemos ser capazes de identificar as competências de nossos parceiros e de colocar os nossos desafios de forma adequada. Um grande desafio é o de conseguir formatar parcerias entre os nossos fornecedores e a academia brasileira, de forma a acelerar o desenvolvimento tecnológico”.

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