Open Innovation Seminar 2009: comentários de organizadores e participantes

O Salão das Américas do Renaissance São Paulo Hotel estava lotado nos passados 22 e 23 de outubro. Eram cerca de 350 pessoas de 156 instituições diferentes participando do Open Innovation Seminar, organizando por nosso Centro.

Entre elas, 42 % eram profissionais da indústria de segmentos variados, desde alimentos até construção civil, 21% eram da academia, 9 % de consultorias, 8% de organizações do setor financeiro e 7% de startups. Órgãos do governo, escritórios de propriedade intelectual, contadores, agências de marketing e mídia também estavam representadas. “Todos os agentes de um ecossistema de inovação”, resume Rafael Levy, anfitrião do evento.

O evento atraiu tanto companhias que já têm um histórico consolidado de iniciativas de inovação aberta, como, por exemplo, a Natura, quanto empresas que estão começando a se estruturar para fazer open innovation.

Um exemplo de empresa do segundo grupo é a Fosfertil, que iniciou em 2008 um processo para formalizar uma área de inovação. “A Fosfertil sempre trabalhou com inovação, com vários casos de sucesso, mas os processos não eram centralizados e muitas vezes tínhamos dificuldades para quantificar e qualificar as nossas ações”, relata Laryssa Miranda, que foi uma das primeiras pessoas a reservar sua vaga no evento. A Fosfertil foi uma das onze patrocinadoras do evento.

“Quando tivemos acesso ao evento de 2008 e à proposta para 2009, percebemos que era importante para a Fosfertil fazer parte dessa conferência, para buscarmos boas práticas, idéias, conhecimento, networking e, principalmente, colocar algumas pessoas-chave da empresa em contato mais profundo com o tema open innovation”, comenta Laryssa.

Gerentes, diretores e presidentes predominaram entre os participantes, mas foi também marcante a presença de equipes de mais de dez profissionais diferentes de uma mesma companhia. “A presença de times e de profissionais de diversas áreas é significativa porque a implementação da open innovation exige a aceitação de uma cultura aberta e a adequação de processos em vários setores da companhia”, diz Bruno Rondani, chairman do evento.

“Much more aware of open innovation”

O eixo da programação deste ano foi a implementação da inovação aberta em seus diversos aspectos. A soma dos pontos de vista dos 46 participantes dos painéis e sessões – representantes de empresas, academia, fundos de investimento e instituições públicas como INPI, Fapesp e Finep – ofereceu um panorama do que acontece no Brasil em termos de inovação aberta e os rumos a seguir.

Para Laryssa Miranda, o evento foi muito importante para analisar os processos da Fosfertil e gerar melhorias com as experiências vividas por outros, principalmente por empresas de outros setores que não sejam da mineração. “Para pensar fora da caixa, temos que sair dela totalmente”, diz.

“A primeira edição do evento mostrou que havia casos de sucesso de desenvolvimento com parceiros no Brasil e divulgou nacionalmente o conceito de open innovation”, afirma Rondani. “Neste ano, por meio das abordagens de propriedade intelectual, corporate venture, políticas públicas, marketing, redes sociais, perfil do profissional, métricas e outras ficou clara a amplitude e complexidade do tema”.

Ainda comparando com a primeira edição, houve mais questionamentos do público e um detalhamento maior das estratégias e processos por parte das empresas. A Petrobras, por exemplo, participante do painel “Gerenciando a open innovation: novos processos de gestão da inovação” fez um auto-diagnóstico analítico de sua implementação da inovação aberta, chegando à conclusão de que a companhia tem feito um bom trabalho de parcerias, principalmente com fornecedores e ICTs, e tem muito a fazer no uso das aquisições, venture capitalspin-offs e licenciamento de propriedade intelectual para gerar novos negócios.

“Vejo os participantes muito mais cientes da inovação aberta do que no ano passado”, disse o professor Henry Chesbrough, que participou com seus comentários dos painéis do primeiro dia, além de conversar com as empresas patrocinadoras numa sessão exclusiva e com jornalistas de editorias de inovação e administração.

Em sua palestra, exclusiva para o Open Innovation Seminar, Chesbrough ofereceu contexto teórico, casos internacionais, mostrando em detalhe como funcionam alguns modelos abertos de sucesso, e dicas de gestão da open innovation.

Um dos assuntos sobre os quais discorreu foi o da abordagem inside-out da inovação aberta, que diz respeito à conquista de novos mercados viabilizada pela abertura do modelo de negócios ,o ponto fraco levantado pela Petrobras em seu auto-diagnóstico. Normalmente, as empresas demoram mais em implementar o aspecto inside-out do que as parcerias de P&D, disse Chesbrough em entrevista. “É mais difícil, inclusive por envolver mais a participação de diversos setores, como finanças, marketing, jurídico…”, completou o professor.

O tema foi retomado por gestores de fundos de investimento no último painel do dia 22 (Venture capitalcorporate venture e open innovation), que também contou com Romero Rodrigues relatando o caso do Buscapé, vendido por cerca de U$S 342 milhões menos de um mês atrás.

Precisamos da inovação aberta?

“Se nós, gestores de inovação pudéssemos viver sem a open innovation, ou seja se conseguíssemos inovar contanto apenas com nossos recursos internos, a nossa vida seria mais fácil”, brinca Bruno Rondani. “Mas, cada vez fica mais claro para nós, gestores de P&D, que a abertura do processo de inovação a alternativa mais viável para alcançar maiores níveis de competitividade”, conclui. Nosso Centro já está iniciando os preparativos para o evento de 2010, que deve superar a segunda edição.

Acompanhe os desdobramentos do Open Innovation Seminar na plataforma Ning do Centro (comunidade com mais de 200 membros com fórum, fotos, vídeos, apresentações) e insira suas sugestões para a próxima edição do evento: http://openinnovationbrasil.ning.com/

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