Perfil do Tecnosinos, baseado em entrevista com Susana Kakuta, diretora executiva.

História
Localizado a cerca de 30 km de Porto Alegre (RS), o Parque Tecnológico São Leopoldo, o Tecnosinos, tem a sua origem no Pólo de Informática de São Leopoldo, cujo projeto surgiu em 1996 por iniciativa da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de São Leopoldo (Acis/SL), a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), a Prefeitura Municipal de São Leopoldo e associações regionais de empresas de software e informática.

Para viabilizar o projeto, a Unisinos se comprometeu a construir e administrar um complexo tecnológico com uma incubadora e um condomínio de empresas, o governo municipal doou um terreno e concedeu isenção do ISSQN e do IPTU até 2003 às empresas instaladas no pólo e o governo estadual destinou uma verba para terraplenagem do terreno. Atualmente, uma parcela do ISS arrecadado com as empresas instaladas no Tecnosinos é aplicada no parque e na atração de novos participantes.

Em 2009, dez anos após a inauguração do Complexo Tecnológico Unitec, o Pólo de Informática de São Leopoldo reestruturou-se como Parque Tecnológico São Leopoldo – Tecnosinos. Com três especialidades já consolidadas, Tecnologia da Informação (atualmente com 25 empresas), Automação e Engenharias (com cinco empresas) e Comunicação e Convergência Digital (com dez empreendimentos, sendo seis de games), o parque iniciou a implantação de duas novas especialidades: Alimentos Funcionais e Nutracêutica e Tecnologias Sócio-ambientais e Energia.

Ambiente de inovação
Na área física do Tecnosinos convivem empresas em diferentes fases de desenvolvimento: de alta maturidade, graduadas da incubadora e incubadas. O parque oferece diversas opções para hospedá-las. A incubadora Unitec, hoje com 34 empreendimentos, é o local adequado para empresas nascentes, inovadoras e de base tecnológica que se encaixem em alguma das especialidades do parque. As candidatas à incubação devem submeter um plano de negócios. Depois de aceitas, são avaliadas mensalmente e recebem apoio em gestão através de uma parceria com o SEBRAE-RS.

Para atender à demanda das graduadas e das empresas consolidadas que chegam ao parque, existem dois condomínios: a torre Rick, de cinco andares, finalizada em abril deste ano e o Condomínio Partec, de sete andares, que já alberga empresas, entre elas a indiana HCL Technology.

Algumas empresas constroem seus próprios prédios na área do parque. Um exemplo é a HT Mícron, joint venture formada pela sul-coreana Hana Micron e por um pool de parceiros brasileiros, que anunciou investimentos de US$ 200 milhões nos próximos cinco anos para uma fábrica de semicondutores que será sediada no parque. Outro exemplo é o prédio ecológico da SAP, construído dentro das normas norte-americanas de Liderança em Energia e Design Ambiental (LEED). No prédio, trabalham os 277 colaboradores da SAP Labs Brazil, primeiro centro de desenvolvimento de aplicativos e serviços de suporte da SAP na América Latina.

Entre os critérios considerados na escolha do local do centro de desenvolvimento, o presidente da SAP Labs Brazil, Erwin Rezelman, destaca a disponibilidade de talento, custos competitivos globalmente (inclusive com relação à China e Índia), habilidade para crescer, o fato de estar dentro de um campus universitário, a presença de alguns parceiros no parque e, também, a beleza dos arredores.

Interação para a inovação aberta
De acordo com Susana Kakuta, diretora executiva do parque, a interação entre as empresas no Tecnosinos ocorre, principalmente, por conta da complementaridade que o parque persegue. “Uma situação mais ou menos comum é que uma empresa do Tecnosinos, para atender a determinada demanda, subcontrate mais duas ou três empresas do parque”, exemplifica a diretora.

Quanto às interações universidade-empresa, Kakuta comenta que a Unisinos forma profissionais para todas as especialidades do parque e que continuamente estão se criando mecanismos para que haja uma maior participação dos estudantes nas empresas. Além disso, a universidade já participou de projetos de pesquisa junto a empresas como a SAP e oferece o apoio de seu Escritório de Transferência Tecnológica.

Nesse sentido, Erwin Rezelman anuncia a realização no prédio ecológico do evento SAP Think Tank, cujo objetivo é discutir e operacionalizar oportunidades de pesquisa entre universidades e SAP. O evento será realizado no mês de maio e contará com a participação da Unisinos e mais quatro universidades brasileiras, além de instituições profissionais e governamentais.

Diferencial na governança
“A governança estratégica do Tecnosinos é de fato exercida numa tríplice hélice em que os setores empresarial, governamental e a universidade têm voto; não se trata de um parque de uma universidade”, afirma Susana Kakuta, destacando essa gestão própria como um diferencial do parque.

A diretora executiva destaca ainda o fato de o parque ter uma estratégia de longo prazo, capaz de atrair parcerias e financiamento. Em fevereiro deste ano, a Unisinos e o Governo do Estado do Rio Grande do Sul assinaram um convênio de cerca de R$ 1,75 milhão para expandir o parque. O acordo inclui como compromisso a geração de 300 empregos em dois anos.

“A meta é chegar a 300 empresas e cinco mil empregos de base tecnológica nos próximos dez anos”, diz Kakuta.

Ficha técnica
Nome: Parque Tecnológico São Leopoldo – Tecnosinos
Tipo: parque tecnológico
Vínculo institucional: governança compartilhada entre a Prefeitura Municipal de São Leopoldo (RS), a Associação Comercial, Industrial e de Serviços, o Pólo de Informática de São Leopoldo e a Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos.
Diretora-executiva: Susana Kakuta, diretora do Complexo Tecnológico Unitec Unisinos, encarregado da governança executiva do parque.
Equipe: cerca de 10 profissionais das áreas de propriedade intelectual, desenvolvimento de parcerias, convênios e contratos, empreendedorismo, incubação de empresas de base tecnológica, capacitação e parques tecnológicos.
Ano de criação: 1999.
Resultados: 2,1 mil empregos diretos, faturamento anual das empresas instaladas de cerca de R$ 1 bilhão, crescimento de 30% ao ano, 43 pedidos de patentes depositados nos últimos três anos, 113 produtos desenvolvidos, R$ 7 milhões captados em recursos públicos.
Número de empresas presentes no parque atualmente: 53 empresas (34 incubadas e 19 consolidadas) e quatro entidades setoriais.
Número de graduadas da incubadora: 15.
Infraestrutura: área de 260 mil m², sendo 32 mil m² de área construída com incubadora de empresas e escritórios para aluguel. No final de 2011 serão cerca de 42 mil m2 de área construída.

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