IPT: modernização para apoiar a indústria brasileira do século XXI

Em 2008, o IPT iniciou um projeto de modernização, chamado Projeto Moderniza. Naquele mesmo ano, tomou posse o seu atual presidente, João Fernando Gomes de Oliveira. Apoiado desde seu início pelo governo do Estado de São Paulo, o Projeto Moderniza articulou investimentos de instituições como Fapesp, BNDES e Finep e de empresas como Petrobras e Embraer. “Todos os agentes governamentais, públicos e privados estão percebendo a relevância de ter pesquisa e tecnologia, e uma instituição como o IPT passa a ter valor crescente nesse contexto”, contextualiza Gomes de Oliveira.

No Moderniza, o governo do Estado de São Paulo já investiu R$ 99,3 milhões na compra de mais de quatrocentos equipamentos e na construção de laboratórios. Durante 2009, o IPT também recebeu R$ 52,6 milhões do Funtec/BNDES e R$ 29,2 milhões da Petrobras.

Posicionamentos ao longo da história

“O IPT tem a história gloriosa de ser um grande agente apoiador tecnológico para as missões de desenvolvimento”, afirma seu presidente.

A história da instituição remonta à criação, em 1899, do Gabinete de Resistência dos Materiais da Escola Politécnica de São Paulo, por parte do engenheiro e político brasileiro Antônio Francisco de Paula Souza, primeiro diretor da Escola Politécnica. O laboratório, voltado à formação de recursos humanos, foi também responsável pela elaboração do Manual de Resistência dos Materiais, que compilava os resultados de uma série de ensaios para avaliação de materiais usados na construção civil.

Em meados da década de 1920, o gabinete foi transformado no Laboratório de Ensaios de Materiais. Sob a direção do engenheiro Ary Frederico Torres, teve ampliada sua atuação como laboratório industrial que tinha como objetivo acompanhar o desenvolvimento paulista, principalmente no ramo da construção civil. Ao mesmo tempo, manteve suas funções didáticas ligadas à Escola Politécnica.

Em 1934, ano da incorporação da Escola Politécnica à Universidade de São Paulo, o governo paulista aprovou a transformação do laboratório em um instituto de pesquisas tecnológicas, entidade com mais autonomia e recursos e com a função de amparar tecnicamente a indústria em todos seus segmentos.

Desde então, o IPT tem atuado no apoio tecnológico (estudos, testes, ensaios, plantas-piloto, laudos técnicos) a iniciativas relacionadas ao desenvolvimento da indústria nacional, em segmentos como o de construção, siderúrgico, metalúrgico, aeronáutico, de energia, cerâmica e calçados, mas ficou conhecido principalmente pela emissão de laudos técnicos em acidentes e tragédias.

Vinculado à Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, o instituto conta hoje com cerca de 1.500 colaboradores, sendo mil deles pesquisadores distribuídos em trinta laboratórios paulistas.

Articulador

Quando o Projeto Moderniza foi lançado, o presidente do IPT destacou que o instituto, baseado na expertise desenvolvida durante anos de apoio tecnológico à indústria, tomaria para si o papel de articulador de universidades e empresas em grandes projetos tecnológicos.

Como exemplo desse papel de articulador, Gomes de Oliveira cita a construção no Parque Tecnológico São José dos Campos de um novo laboratório do instituto, o Laboratório de Estruturas Leves. De acordo com Oliveira, o IPT fez a intermediação para fechar o acordo entre o governo do Estado de São Paulo, BNDES, Embraer, Fapesp, Finep, os centros de ensino FEI, ITA, USP, Unicamp e Unesp, os institutos de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) e de Aeronáutica e Espaço (IAE) e a prefeitura de São José dos Campos. O investimento para viabilizar o laboratório, dedicado à pesquisa em materiais de alto desempenho e baixo peso, é de R$ 90,5 milhões.

Modernização dos recursos

“As frentes de modernização do IPT são voltadas prioritariamente para ampliar e atualizar as capacitações laboratoriais do instituto, realizando esforços em três frentes: tecnologias sustentáveis, bionanotecnologia e pré-sal”, afirma Oliveira. Esses esforços consistem, basicamente na aquisição de equipamentos acompanhada de uma readequação da gestão de recursos humanos que inclui abertura de concursos, envio de pesquisadores ao exterior e chamadas para concessão de bolsas.

A primeira dessas frentes é a de tecnologias sustentáveis, que atualmente conta com projetos de desenvolvimento em silício de grau solar e remediação de áreas contaminadas, além das já citadas estruturas leves, que permitiriam a economia de combustíveis de aeronaves e de materiais que são críticos em termos de recursos naturais. “Hoje todas as tecnologias precisam ter esse compromisso com o meio ambiente”, diz Oliveira. Nessa frente, o IPT também está fortalecendo um grupo multidiscilpinar especializado em engenharia do ciclo de vida de produto, que tem como missão aplicar esse tipo de conhecimento em todos os projetos que o instituto desenvolve.

A segunda frente de modernização encontra-se numa área de fronteira, a bionanotecnologia. “O grande investimento nessa área é uma maneira de induzir nos setores empresariais tecnologias que eles não imaginam poder usar”, diz o presidente. Para isso, o IPT está construindo um novo prédio de oito mil metros quadrados junto à sua sede na cidade universitária da USP, com conclusão prevista para antes do final deste ano.

O respaldo tecnológico às oportunidades relativas ao pré-sal, por meio de ensaios e testes de produtos, capacitação de fornecedores, pesquisas sobre exploração, engenharia naval e corrosão em materiais, entre outros trabalhos, constitui a terceira frente de modernização do IPT. Nesse contexto está sendo construído um laboratório para atender às demandas de testes pesados da indústria do pré-sal.

“Além desses focos, investimos também na infraestrutura básica de testes para pesquisa e inovação já existente no instituto, principalmente nas áreas de química, materiais, têxtil e processos químicos”, acrescenta o presidente do IPT. “Tais competências estavam limitadas pela falta de equipamentos modernos, mesmo tendo boas equipes de pesquisadores”.

Para viabilizar o Moderniza, o IPT criou uma gerência de modernização. “O grupo, que é constituído por pessoas de altíssimo padrão na área administrativa do IPT, nos setores de compras, licitações, jurídico, e outros, trabalha de maneira integrada e com poder de decisão para realizar compras e obras”, descreve o presidente do instituto.

Oportunidades para a gestão de inovação

De acordo com Oliveira, com a modernização do IPT criam-se novas oportunidades de atuação junto às empresas, tanto nos serviços de apoio tecnológico, que caracterizam historicamente o instituto, quanto no desenvolvimento de soluções pré-competitivas.

O instituto, melhor equipado, está preparado para realizar atividades essenciais e necessárias ao processo de inovação como testes, análises e simulações. Seu presidente cita como exemplo o desenvolvimento de um novo material, no qual a empresa desenvolvedora necessitaria fazer testes de desgaste ou corrosão ou análises no microscópio eletrônico de varredura, que foi adquirido no início do ano. “Para isso ela não precisaria investir em equipamentos caros; o IPT pode assumir a parte dos testes, realizar as análises químicas ou de microscopia e entregar o resultado”, ilustra.

A montagem de plantas-piloto e a produção para testes é uma etapa do processo de inovação que o IPT também pode assumir. “Mas o processo de inovação deve ser conduzido dentro da empresa e totalmente dominado por ela, de forma a entender todas as consequências de lançar no mercado um produto ou processo inovador”, reforça Oliveira.

“Além desse papel apoiador, o IPT deve produzir mais propriedade intelectual com sua estrutura modernizada. Esse é um componente importante de nossa atividade que certamente deve crescer”, afirma Oliveira. “Devemos desenvolver soluções genéricas e pré-competitivas em áreas que as empresas ainda não estão atuando ou em temas onde uma única empresa não resolve o problema de inovação e há necessidade de cooperação com outros agentes com a intermediação de um instituto público como o IPT”, conclui.

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