Perfil do Pólo Bio-Rio, baseado em entrevista com Ângelo Luiz de Barros, VP da Fundação Bio-Rio.

História
A criação do primeiro parque tecnológico da América Latina na área de biotecnologia, o Bio-Rio, tem seu precedente formal na assinatura, em 1986, de um protocolo de intenções estimulado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e pela Prefeitura do Rio de Janeiro, relata Ângelo Monteiro de Barros, vice-presidente da Fundação Bio-Rio, entidade responsável pela gestão do parque.

A fundação foi instituída por duas agências financiadoras de pesquisa e desenvolvimento, a FINEP e o CNPq, e por associações empresariais do Rio de Janeiro (a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, a Associação do Rio de Janeiro, a Associação Brasileira das Empresas de Biotecnologia e a Associação Fluminense da Pequena e Média Empresa).

Em 1988, por meio de um convênio de concessão de uso de área com a Universidade Federal do Rio de Janeiro pelo prazo de 30 anos renováveis, iniciou-se a criação de um parque tecnológico, compreendendo incubadora de empresas e lotes industriais.

Dois anos depois, a Fundação Bio-Rio assinou um convênio de cooperação técnico-científica com a UFRJ para execução de programas e projetos, prevendo a assistência técnica mútua.

Unidades
O parque tecnológico agrupa atualmente 37 empresas distribuídas em três unidades. “Possuímos um modelo bem interessante da fixação e crescimento de empresas graduadas da incubadora”, diz o vice-presidente da Bio-Rio.

A incubadora de empresas abriga, em áreas de até 180m², micro e pequenas empresas interessadas em investir em novos projetos na área de biotecnologia e setores afins. “Na incubadora há empresas de diversas origens, spin-offs de grupos de pesquisa da universidade e spin-offs de empresas residentes no próprio parque”, descreve Monteiro de Barros. As candidatas à incubação devem apresentar um projeto de pesquisa e um projeto empresarial. Ambos devem ser aprovados para que a empresa possa se instalar na incubadora.

O galpão condominial, ambiente intermediário ideal para o desenvolvimento das graduadas da incubadora, oferece áreas de até 720 m². As áreas da incubadora e do galpão contam com pontos de água, energia elétrica, esgoto, telefone e Internet.  As micro e pequenas empresas ali instaladas se beneficiam de uma redução do ISS de 5% para 2% durante os cinco primeiros anos no parque, sendo esse o tempo máximo de permanência na incubadora.

A região urbanizada para lotes industriais ocupa quase a metade da área do parque. Os lotes industriais, de 1.000 m² cada um, são destinados à instalação de infraestrutura industrial para empresas ou divisões de P&D e produção de empresas atuantes em biotecnologia e áreas afins.

O Pólo Bio-Rio conta também com infraestrutura de apoio compartilhada, principalmente um auditório para 45 pessoas, uma sala de treinamento para 20 pessoas, salas de reunião e recursos laboratoriais (área de destilação e autoclavagem, câmaras frigoríficas para estocagens de matérias primas e produtos acabados e equipamentos e instrumentos como balanças de precisão e medidor de pH). As empresas residentes podem usufruir também de assessoria para cooperação com universidades e centros de pesquisa e para registro de marcas e patentes, entre outros serviços de apoio.

Governança e financiamento
As empresas residentes no parque, comenta Monteiro de Barros, estão diretamente representadas no conselho deliberativo da fundação Bio-Rio por meio da COMBIORIO, que também promove interações e parcerias entre as associadas. O conselho também inclui representantes de instituições como a UFRJ, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Secretaria Estadual de C&T, Sebrae RJ, Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, Associação Comercial do Rio de Janeiro, Federação Fluminense das Micro, Pequenas e Médias Empresas, Associação Brasileira de Biotecnologia. Toda a parte operativa do parque é exercida pelo secretário geral.

De acordo com o vice-presidente da fundação, os recursos do parque são próprios. “Hoje, o parque é totalmente sustentável”, afirma. Para as empresas residentes, a Fundação Bio-Rio busca financiamento por meio de projetos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico. Nos últimos dois anos, a Fundação Bio-Rio obteve recursos financeiros da Finep, Sebrae e FAPERJ.

“A fundação possui uma Gerência de Negócios, responsável pela captação de recursos, que busca e divulga editais, além de elaborar projetos”, comenta Monteiro de Barros.

Ficha técnica
Nome: Pólo Bio-Rio
Tipo: parque tecnológico
Localização: campus da UFRJ, na Ilha do Fundão (RJ)
Vínculo institucional: 
Fundação Bio-Rio, com representantes de instituições de pesquisa, empresas e entidades de fomento.
Presidente e vice-presidente: Marcio João de Andrade Fortes e Ângelo Luiz Monteiro de Barros, respectivamente.
Equipe: 45 profissionais das áreas de projetos e importações, relações institucionais e negócios, marketing e inteligência competitiva, informática, financeira, pessoas, administrativa e jurídica.
Ano de criação: 1988.
Resultados: 1,3 mil empregos diretos, 12 patentes depositadas? no ano de 2009, faturamento global das micro e médias empresas residentes de R$ 79 milhões correspondente ao último ano?
Número de empresas presentes no parque atualmente: 37 empresas (17 incubadas e 20 consolidadas). 
Número de graduadas da incubadora: 16.
Infraestrutura: área total de 116 mil  m² com infraestrutura e serviços básicos e laboratórios de uso compartilhado.

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