Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica da UFMG: História de pioneirismo e liderança

Um dos primeiros NIT’s criados no Brasil, Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica da UFMG é referência no registro de patentes. Desafio agora é transferência de tecnologia.

Muito antes dos Núcleos de Inovação Tecnológica possuírem uma nomenclatura comum e serem conhecidos como NIT’s, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) criou um espaço dedicado à gestão de patentes, transferência de tecnologia e fomento à inovação. Foi assim que nasceu, em 1996, a Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica (CTIT) da maior universidade mineira. O surgimento do setor coincidia com a nova legislação sobre patentes. A UFMG participava dos primeiros passos rumo à defesa da propriedade intelectual das universidades e a mediação dos processos de transferência tecnológica.

De acordo com o professor Ado Jório, coordenador do CTIT, a experiência do Brasil nessa esfera era – e ainda é – muito incipiente. “As universidades maiores, como a UFMG, puxam o processo. Porém, a maioria dos NIT’s brasileiros foi criada depois de 2005 com o incentivo da lei de inovação”, afirma. “Mesmo o trabalho na UFMG ganhou impulso notório a partir dessa data”. Isso pode ser verificado, por exemplo, na expansão de pessoal do CTIT. Até 2005, a coordenadoria contava com apenas seis colaboradores enquanto, hoje, 35 profissionais de formações diversas trabalham na área.

Jório aponta o amadurecimento do país e as políticas públicas de incentivo e financiamento como fatores decisivos na explosão relativa à inovação a que o Brasil tem assistido nos últimos anos. Para o professor, esse cenário é ideal para a UFMG, que detêm excelência intelectual em praticamente todas as áreas de conhecimento. As mais fortes são aquelas que têm, também, mais espaço no mundo todo, como engenharia, biotecnologia, química e farmácia. Juntas, representam cerca de 70% das patentes detidas pelo CTIT e, no restante do bolo, há registros que vão de política a artes.

Para Jório, a presença de um NIT forte dentro da universidade facilita o trabalho dos pesquisadores e traz benefícios tanto para a instituição quanto para o país. “A importância geral de um NIT é que ele deixa que o pesquisador foque naquilo que faz melhor: produção de conhecimento e formação de gente qualificada, sem perder tempo com questões jurídicas e negociações”, diz. “Além disso, tudo o que é produzido dentro da UFMG pertence à instituição. É função do NIT garantir que os rumos dessa produção e o valor dado às tecnologias sejam decisão da instituição. Assim, os NIT’s têm o papel de consolidar a inovação no Brasil e colocá-la como prioridade, de uma forma organizada e institucional”.

No quesito patente, a UFMG é destaque nacional. A instituição possui cerca de 380 registros de patente no INPI e mais de 100 no exterior, sendo a universidade que mais possui registros fora do Brasil e a que, no ano passado, mais depositou registros no INPI. Os números chamam atenção por si mesmo, mas Jório ressalta que essa posição é ainda mais relevante considerando o cenário nacional. “As universidades estaduais paulistas possuem um histórico anterior e mais amplo em relação às instituições federais. Por isso, esses números revelam a dimensão do crescimento da UFMG, que se tornou uma liderança”, afirma. Ele explica que a arrancada só foi possível porque a universidade definiu o estímulo à inovação como uma política institucional.

O desafio dessa política, agora, é consolidar a transferência de tecnologia. No ano passado, a UFMG realizou a transferência de sete tecnologias para o setor privado. Segundo informações do site do CTIT, em abril de 2011, esse número já havia sido superado e outras sete negociações estavam em andamento. Em um trabalho que busca a aproximação com a indústria, a universidade tenta direcionar suas pesquisas. Além de oferecer tecnologias já prontas para o setor privado, a UFMG firma convênios de pesquisa com empresas para facilitar o processo de transferência e aplicação.

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