Integração é a alma do negócio

TecnoPUC conjuga pesquisa, transferência de tecnologia e empreendedorismo em um mesmo sistema para criar ambiente único.

A história do Escritório de Transferência de Tecnologia da PUC-RS não existe de forma isolada. Sua atuação está diretamente relacionada à criação do parque científico e tecnológico da instituição, o TecnoPUC, há nove anos. O parque, por sua vez, surgiu de uma estratégia anterior da universidade, que investiu em pesquisa e gerou a necessidade de aproximação com empresas e governo em busca de financiamento. Uma década depois de iniciado esse processo, a instituição volta a traçar nova estratégia, colocando o empreendedorismo como meta estruturadora de todas as ações ligadas a ensino, pesquisa e inovação.


O Portal Tecnopuc foi inaugurado em dezembro de 2010 e contribuiu para dobrar a área construída do parque, passando de 22 mil m², para 44 mil m².

Se hoje a PUC-RS é nacionalmente reconhecida por se adequar à chamada tripla hélice (empresa, governo e universidade), há quinze anos a história era bem diferente. A universidade já possuía excelência no ensino, mas havia pouca pesquisa. Lançou então o programa 1000 para 2000, pelo qual pretendia qualificar 1000 professores com mestrado e doutorado até o ano 2000. Além de um corpo docente mais forte, o resultado foi a criação da cultura de pesquisa. Para sustentar essa estrutura financeiramente, a instituição começou a buscar apoio junto a governo e empresas.
O diretor do TecnoPUC, Roberto Moschetta, conta que começaram a surgir as primeiras empresas que tinham interesse em atuar em instalações da própria universidade para estar próximas aos laboratórios, alunos e professores. Essa adaptação era feita de forma improvisada, aproveitando salas de aula, mas logo precisou ser revista. “Isso começou com a Dell e a HP, mas houve um crescimento explosivo e precisamos então criar um espaço próprio para essas empresas. Assim, nasceu o parque tecnológico. Hoje, são 65 empresas instaladas e mais de 4500 pessoas vinculadas”, diz.

Talvez ainda mais interessante que o nascimento do parque em si seja a forma como ele foi responsável por fazer a universidade se reinventar. Com uma relação muito próxima às empresas, a universidade passou a lidar tanto com a propriedade intelectual desenvolvida pela pesquisa acadêmica tradicional quanto com os projetos desenvolvidos em conjunto com as empresas do parque por programas de P,D&I. “Hoje, temos 77 patentes depositadas no Brasil, sendo 36 também no exterior. Além disso, temos copropriedade de duas patentes com a HP e outras duas com a empresa de biotecnologia 4G”, revela a coordenadora do Escritório de Transferência de Tecnologia, Elizabeth Ritter.

O investimento em pesquisa e inovação caminhou junto com a lógica empresarial, e a universidade passou a entender a importância do estímulo ao empreendedorismo. Por isso, criou a incubadora de empresas Raiar, que hoje conta com 22 incubadas. Ela se destina à comunidade acadêmica (alunos e professores) e, de acordo com seu gerente, Edemar de Paula, cumpre papel importante na disseminação da cultura empreendedora por todas as áreas de ensino. “No início, abrigávamos apenas empresas de tecnologia da informação. Aos poucos, os professores e alunos de outros setores começaram a perceber que poderiam contar com nosso apoio para formar um negócio. Atualmente, uma das áreas que se destaca, por exemplo, é a saúde”, explica.

A atuação da incubadora está se expandindo para desenvolver um trabalho conjunto com o Escritório de Transferência de Tecnologia e gerar empreendedorismo a partir da pesquisa acadêmica. “Muitas vezes, os pesquisadores desenvolvem seus projetos e criam patentes, mas param por aí. Nosso objetivo é identificar as patentes que têm potencial para se transformar em bons negócios e convidar os pesquisadores a ingressarem nessa área”, conta Edemar. A ideia é que a partir dessas tecnologias sejam criados planos de negócios que passem pelas incubadoras e cheguem ao mercado.

Moschetta acredita que a integração de todas essas instâncias, que funcionam em rede, é o fator que destaca a PUC-RS no cenário nacional. “Começamos investindo em pesquisa, buscamos as empresas e o governo para nos dar apoio e, aí, percebemos o quanto é importante permear todo o processo pelo empreendedorismo”, resume. “Estamos crescendo rapidamente para criar uma cadeia na qual é possível gerar negócios em qualquer fase de desenvolvimento”.

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