Veja como foi o Open Innovation Seminar 2011

Inovação cada vez mais aberta e consistente

Quarta edição do Open Innovation Seminar reuniu 1000 participantes; para Henry Chesbrough, inovação aberta está amadurecendo no Brasil; colaboração com Suécia foi destaque.


Para Henry Chesbrough – criador do termo “open innovation” – experiência brasileira com inovação aberta está cada dia mais madura

Após três dias de palestras, debates, cursos e conversas com empresários, pesquisadores e representantes do governo, o professor Henry Chesbrough não hesita em afirmar que enxerga o amadurecimento na experiência brasileira com inovação aberta. “Quando eu estive aqui pela primeira vez, há quatro anos, as pessoas me perguntavam: ‘o que é a inovação aberta?’. Hoje, as dúvidas estão principalmente relacionadas a ‘como aplicar’ e de uma forma muito mais complexa e sofisticada. Isso também mostra a abertura crescente que o país tem demonstrado por open innovation”, diz.

A boa impressão do professor da Haas School of Business da Universidade da Califórnia, responsável pela criação do termo “open innovation”, tem motivos claros. No último mês, o Open Innovation Center Brasil (OIC) reuniu cerca de 1.000 pessoas na quarta edição do maior evento de inovação aberta da América Latina, o Open Innovation Seminar 2011. Além da dimensão do público, formado por profissionais estratégicos de diversos setores ligados à inovação, destacou-se no evento o alto nível das discussões e a forte presença internacional.

A aproximação dos interesses entre Brasil e Suécia também chamou atenção no evento deste ano, que fortaleceu os acordos de cooperação para promoção da inovação e do desenvolvimento mútuo. Cerca de 130 profissionais ligados a universidades, indústrias e governos dos dois países se reuniram para discutir as possibilidades de trabalho em conjunto e o papel que o Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro (CISB) irá desempenhar nesse processo. Criado há seis meses, o CISB conta com seis instituições admitidas como membros e 40 cartas de intenções assinadas por futuros parceiros. O CISB vem congregando, principalmente, membros suecos, mas a participação é aberta aos interessados brasileiros.

Para o diretor executivo do OIC, Bruno Rondani, o tamanho do público do Open Innovation Seminar 2011 e o aprofundamento das discussões são uma evidência de que a inovação aberta é um modelo que atende à realidade brasileira. “As organizações brasileiras estão percebendo que existem inúmeras oportunidades a serem exploradas, indo muito além do tradicional modelo de P&D que conhecemos, que normalmente exige bastante investimento de tempo, de conhecimento e de dinheiro”, afirma.

A impressão é reforçada por pesquisa da Fundação Dom Cabral que mostra que as empresas brasileiras acreditam na inovação aberta. “Mesmo entre as organizações que ainda desenvolvem a inovação fechada, há uma parcela importante que acredita na inovação aberta”, afirma o professor da FDC, Anderson Rossi. Segundo ele, a pesquisa aponta para um grande desafio: a adoção da inovação de forma radical.

Entre as empresas pesquisadas, 81% ainda adotam a inovação apenas de forma incremental, para melhorar uma estrutura já consolidada. Esse cenário é comprovado pela constatação de que o maior impacto da inovação aberta está concentrado na fase de desenvolvimento (61%), com um fluxo de fora para dentro. Segundo ele, as companhias precisam trabalhar de forma mais ampla a abertura de seus processos e a tecnologia para a criação de um fluxo de dentro para fora também.
Para a líder do Projeto InnovaLatino, da Insead, Lourdes Casanova, o cenário brasileiro está conectado ao contexto mais amplo da América Latina. Segundo ela, a maior parte da inovação aberta da região ainda decorre, principalmente, das grandes empresas. Esses países enfrentam o desafio duplo de fazer suas indústrias e empresas crescerem enquanto ainda lutam pela erradicação da pobreza. “Nos países em desenvolvimento, a inovação é a chave para o crescimento econômico e o setor privado pode ser um importante aliado para a solução dos problemas locais”, acredita. “Um dos maiores desafios nesse contexto ainda é a qualificação dos profissionais”.

Ecossistema para a inovação

Mais que iniciativas isoladas de inovação aberta, a criação de redes e colaboração e a integração entre a hélice tripla governo-empresa-universidade pode criar o que os especialistas chamam de ecossistema inovador. Nesse ambiente de interação, diversos atores trabalham para potencializar a inovação, que deixa de ser vista como questão exclusiva da iniciativa privada e passa a permear também governos e mobilizar parceiros para a busca de soluções para os desafios sociais.

Ao longo do seminário, a inovação aberta foi tratada sob diversos ângulos, tendo como principal norteador o tema “Crescimento sustentável apoiado em redes de inovação: uma agenda para o Brasil”. Os debates foram organizados em trilhas para canalizar a discussão segundo os desafios do contexto brasileiro. Ao longo deste boletim, você encontra algumas das questões levantadas e seus desdobramentos.

A programação do evento também contou com clinic hours oferecidas pelo professor Henry Chesbrough aos patrocinadores O Boticário, Sebrae e Petrobras/CENPES. Para aumentar o entendimento sobre o conceito de inovação aberta e sua aplicação, foram realizados cursos com temas selecionados de acordo com as preferências dos participantes por meio de crowdsourcing. Além de “Managing open innovation”, ministrado por Chesbrough, entre os temas abordados estavam “Criação de negócios inovadores”, “Cultura de inovação”, “Inovação em serviços” e “Cocriação colaborativa”, realizados ao longo do dia 24. No dia 25, também foram promovidos os cursos “Gestão estratégica da inovação”, “Projetos de inovação tecnológica”, “Design thinking e inovação”, “Ideação e solução criativa de problemas” e “Indicadores e métricas de inovação”.

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Trilha 1

Inovação multiplicada em rede

Trilha “Inovação em redes setoriais e cadeias produtivas” discute a relevância da criação de redes colaborativas para organizações de todos os tamanhos.


Para o gerente de projetos sênior da Innventia, Niklas Berglin, é preciso integrar os stakeholders ao longo da cadeia de valor da indústria

De forma concreta ou análoga, redes são formadas por uma série de pontos interligados que, juntos, criam um conjunto mais amplo. Quando se trata de inovação, a criação de redes é promissora para potencializar processos e diminuir custos. Durante o Open Innovation Seminar, elas mereceram uma trilha de discussões. A importância desse conceito está na percepção de que as redes podem ser benéficas para praticamente todos os perfis de empresas.

Um bom exemplo diz respeito à produção de etanol e seus derivados. O gerente de projetos sênior da Innventia – organização de pesquisa e desenvolvimento baseada na Suécia –, Niklas Berglin, demonstrou como, ao longo de uma mesma cadeia de valor, é possível criar um ciclo de colaboração. Segundo ele, durante a produção de etanol, apenas 20% da matéria-prima é aproveitada. Do universo restante, pode-se criar um enorme volume de dejetos ou, de forma mais inteligente, integrá-lo à cadeia produtiva já existente, como a produção de embalagens para materiais líquidos e biocombustíveis que serão usados no transporte desses produtos. “Os diversos atores devem ser entendidos como stakeholders. Se indústrias diferentes colaboram dentro de uma mesma cadeia, inclusive internacional, é possível tornar todo o processo mais sustentável, tanto do ponto de vista ambiental, quanto do ponto de vista financeiro”, diz.

Para o gerente de P,D e I da Suzano Papel e Celulose, Fábio Figliolino, é preciso que cada integrante da rede tenha claro o conjunto ao qual ele pertence. “Quando uma empresa quer criar uma rede em torno de sua produção, é preciso identificar os principais atores que podem contribuir, encontrá-los separadamente para estabelecer conexões e em seguida promover eventos que reúnam todos de modo a criar uma visão de conjunto. Quando se tem essa clareza, as parcerias começam a acontecer naturalmente”, descreve.

O diretor científico do Instituto Vita Nova (braço de inovação da EMS), José Martins, destaca que nem sempre é fácil contar com essas redes. Segundo ele, o maior desafio para a inovação na indústria farmacêutica está em encontrar fornecedores qualificados que possam atender em tempo hábil. Para a criação de uma rede sólida, ele aposta na relação com as universidades e na gestão de pessoas. Segundo Martins, além de aliar o conhecimento dos colaboradores às informações e processo da empresa, é preciso criar um ambiente de atratividade e manutenção de profissionais que atendam ao objetivo da empresa – muitas vezes mais voltado para gestão do trabalho desenvolvido externamente. “Hoje em dia, não precisamos apenas de pessoal com conhecimento técnico na produção de medicamentos. Esse profissional precisa ser também capaz de avaliar com precisão o que está sendo feito pelos parceiros, além de escrever e revisar os contratos de forma adequada”, afirma.

Também para menores

De acordo com o coordenador do programa de inovação da Endeavor, Marcelo Nakagawa, o Brasil já é um país muito empreendedor, mas o empreendedorismo inovador ainda é exceção. Seja pela dificuldade de investir em inovação ou por uma deficiência na cultura, as redes podem ser solução para a inserção de pequenas e médias empresas desde o início de seus processos.

A empresa de dermocosméticos PuraInova é um exemplo de como crescer com base na inovação aberta. Como concorre com grandes empresas – a maioria multinacionais –, está “condenada a inovar”, nas palavras de seu fundador, Joel Ponte. A PuraInova trabalha com uma rede de dermatologistas que participam desde a fase de sugestão de novas linhas, passando pelo teste dos produtos e as estratégias comerciais. “A inovação aberta amplia a inteligência da nossa empresa”, resume. Para ele, as pequenas estão em vantagem em relação às maiores devido à versatilidade.

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Trilha 2

Inovação que sustenta o bem-estar

Alternativas ambientais e soluções para as cidades são pauta da trilha “Crescimento sustentável apoiado em inovação”.


“O modelo de produção e consumo que existe atualmente ainda considera o planeta como fonte de recursos infinita, mas sabemos que essa é uma conta que não fecha” – André Carvalho, Fundação Getúlio Vargas

Em um tempo no qual crescimento econômico – desconectado da avaliação da qualidade de vida – ainda é a medida para entender a evolução das sociedades, torna-se essencial levar a discussão sobre inovação para o âmbito das políticas públicas e das soluções para as cidades. Mais que se relacionar a novas tecnologias, a inovação de que os centros urbanos precisam diz respeito à forma como a cidade e sua organização social é pensada. Problemas de trânsito, poluição, saneamento e distribuição de renda devem ser pensados de forma integrada para que seja possível continuar melhorando a qualidade de vida das populações. Nesse cenário, sustentabilidade é a palavra-chave. Foi esse o mote das discussões desenvolvidas na trilha “Crescimento sustentável apoiado em inovação”.

Para o professor do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas, André Carvalho, essa não é uma questão restrita à área ambiental, mas está diretamente ligada aos setores produtivos. “O modelo de produção e consumo que existe atualmente ainda considera o planeta como fonte de recursos infinita, mas sabemos que essa é uma conta que não fecha. Quando falamos de sustentabilidade, não estamos querendo ‘salvar o planeta’; queremos entender como as pressões sociais e ambientais põem em risco a indústria, por exemplo. É preciso encarar essas pressões como fatores geradores de inovação”, afirma.

A professora Semida Silveira é chefe da Divisão de Estudos de Energia e Clima do Royal Institute of Technology da Suécia e acompanha a implantação de projetos de inovação para os desafios urbanos em Estocolmo, capital do país. Segundo ela, um tema-chave para a sustentabilidade é a energia, já que cerca de 3/4 das mudanças climáticas estão ligadas a seu uso. Semida explica que os recursos energéticos foram fundamentais na melhoria da qualidade de vida das populações, mas é preciso haver uma reinvenção na forma como o acesso a eles é criado. “Cerca de 1/5 da população mundial ainda não tem acesso à eletricidade. Como vamos fornecer energia a essas pessoas? É preciso que isso seja feito de forma diferente, pois o modelo atual já foi responsável por grande impacto ambiental”, afirma.

A solução do problema não está a cargo apenas dos órgãos especialistas em energia, mas também, por exemplo, no planejamento do espaço de modo a criar alternativas para reduzir o consumo. Semida cita o bairro Hammarby Sjostad, em Estocolmo, onde todo o consumo de água e energia é gerido de forma integrada ao manejo dos resíduos. Lá, o lixo é incinerado para produzir eletricidade e aquecimento.

Se o exemplo sueco parece distante, basta pensar no caso de Curitiba, que, por meio de um planejamento integrado, se transformou em modelo para o desenvolvimento urbano de qualidade. O diretor de estratégia e operações da IBM, Sérgio Borger, reforça a importância de criar cidades inteligentes por meio da inovação e colaboração. Para ele, há uma série de instrumentos que podem ser usados na melhoria da qualidade de vida urbana, como a utilização de dados meteorológicos para criar sistemas de alerta e prevenção a enchentes em parceria com a Defesa Civil.

Nesse aspecto, a experiência norueguesa pode ser interessante. O diretor executivo da empresa de tecnologia da informação Induct Software, Alf Johansen, explica que é possível usar softwares para gerir uma série de informações distintas de modo a facilitar a tomada de decisão do poder público com base em dados precisos. “As cidades enfrentam desafios semelhantes entre si. Se, por meio desse sistema de informações compartilhadas, 30 municípios percebem que têm um problema em comum, podem se unir para resolvê-lo juntos em vez de enfrentá-lo de 30 formas diferentes”, exemplifica.

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Trilha 3

Clientes no foco da inovação

Trilha aborda a inovação sob a ótica da prestação de serviços e da colaboração.


“A mesma literatura de inovação com técnicas aplicadas aos produtos pode ser replicada para os processos. Esse conhecimento pode gerar, assim, uma mudança nos serviços” – Cláudio Pinhanez, IBM

Quaisquer que sejam as áreas de uma companhia na qual se implanta a inovação, o objetivo final é a satisfação do consumidor. Por isso, o Open Innovation Seminar colocou em pauta as diretrizes para promover a inovação em processos e serviços, detalhando como empresas investem em ações colaborativas que envolvem, sobretudo, ouvir o cliente. A experiência delas mostra que, para atingir a excelência no atendimento, é essencial que a inovação parta de ampla estruturação interna na companhia.

Um grande desafio afeta a inovação dirigida a processos e serviços. De acordo com o pesquisador da IBM, Cláudio Pinhanez, a implantação de inovação focada em produtos já é uma realidade para muitas empresas, mas, quando se trata de inovar em serviços, ainda há dúvida. “A mesma literatura de inovação com técnicas aplicadas aos produtos pode ser replicada para os processos. Esse conhecimento pode gerar, assim, uma mudança nos serviços”, afirma.

Do contato com o cliente, surgem informações que podem ser sistematizadas e utilizadas para a inovação. De acordo com a diretora de Experiência do Usuário da Telefônica/Vivo, Pamela Mead, as empresas precisam entender o perfil de seus clientes e aquilo que eles anseiam. Para isso, ela afirma ser preciso lançar mão de pesquisas com os consumidores. “Ao ouvi-lo e observar seu comportamento, é possível adaptar o atendimento àquilo que o cliente espera da empresa”, diz. Segundo ela, a qualidade do atendimento tem efeito positivo direto sobre a forma como o produto é percebido.

O diretor de Estratégia, Inovação e Sustentabilidade do Grupo Fleury – uma das empresas líderes em medicina diagnóstica –, Carlos Marinelli, conta que a empresa vem passando por reformulações para oferecer um conceito de atendimento diferenciado no setor. A empresa já alia, por exemplo, a arte à saúde com a promoção de exposições interativas. “O objetivo desse tipo de iniciativa é criar uma experiência agradável. Aliado aos princípios práticos de prestar um serviço ágil e efetivo, o atendimento humanizado cativa o cliente”, acredita. Segundo Franco, a empresa buscou implantar a inovação em todos os processos que se ligam ao atendimento, passando pelo cadastro de atendimentos e o contato com os médicos de referência dos pacientes.

A estratégia inclui estimular os colaboradores a participarem com sugestões que agreguem valor ao serviço prestado pela Fleury, inclusive por meio de plataformas virtuais. Em 2011, de cada dez funcionários, quatro já ajudaram a implantar uma nova ideia.

Um dos principais objetivos, quando se trata de inovação em processos para aperfeiçoar o contato com o consumidor final, é criar canais pelos quais a opinião dos clientes chegue de forma mais clara à empresa, que pode, assim, entregar serviços cada vez mais personalizados. Pinhanez lembra que, muitas vezes, as empresas têm acesso a um volume interessante de informações sobre seus clientes, mas não sabem o que fazer com esses dados e transformá-los, efetivamente, em inovação.

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Trilha 4

Conexões para o desenvolvimento mútuo da inovação

O desenvolvimento regional e a cooperação internacional foram tema da trilha “Inovação global e desenvolvimento regional”.


Chief Technology Officer da Saab, Pontus de Laval, acredita na complementaridade entre o Brasil e a Suécia e na possibilidade de trabalhos conjuntos com ganhos bilaterais

Alguns dos exemplos que ilustram de forma mais interessante a inovação aberta são as formações de parcerias e a criação de ambientes comuns para desenvolvimento em conjunto. A trilha “Inovação global e desenvolvimento regional” trouxe para a mesa de discussões as formas pelas quais instituições podem se conectar local ou globalmente para alcançar crescimento mútuo.

Chief Technology Officerda Saab, Pontus de Laval, e o Project Officer da Divisão de Redes e Colaboração Internacional da Vinnova – agência governamental sueca para inovação –, Ciro Vasques, participaram da conversa demonstrando o interesse e as possibilidades de integração entre negócios do Brasil e da Suécia. Para eles, os dois países têm qualidades complementares que, trabalhadas em conjunto, podem resultar em ganhos bilaterais. Segundo Vasques, a cooperação internacional não é uma relação simples, mas totalmente possível. Para ele, o importante nesse tipo de parceria é conhecer a fundo o contexto do país com o qual se relaciona para buscar os objetivos comuns e as melhores formas para que ambos ganhem com a troca, adaptando-se a diferentes oportunidades.

Essa visão é corroborada pelo cientista-chefe do laboratório brasileiro da IBM, Fábio Gandour. Segundo ele, uma das lições que a experiência com inovação aberta lhe deixou foi que “a inovação só se materializa quando o conhecimento é aliado a uma visão clara da realidade do mercado”. Além de entender a própria realidade e a de possíveis parceiros, para os especialistas, a criação de canais de interação é um requisito essencial.

Os parques tecnológicos cumprem, em certa medida, a função de aproximar universidade, empresas e governo e, assim, facilitar o intercâmbio entre áreas que trabalham em ritmos diferentes. Na opinião do pró-reitor de pesquisa da PUC-RS, Jorge Audy, as diferentes instâncias precisam, ao mesmo tempo, manter suas peculiaridades e trabalhar pela integração. “Não compete à universidade definir políticas públicas nem atuar como as empresas, mas é, sim, possível criar uma cultura de forte cooperação”, diz. Além de potencializar as oportunidades para os atores envolvidos, os parques tecnológicos acabam se tornando polos de desenvolvimento das regiões onde atuam.

Na Suécia, o Lindholmen Science Park adota um conceito ainda mais amplo de integração entre os atores de um parque científico e tecnológico. Nesse modelo, as diversas instituições que o ocupam são incentivadas a frequentar espaços físicos comuns e, a partir desse contato, desenvolver em conjunto novas ideias, tecnologias e processos.

No Brasil, uma iniciativa cria situação parecida, inclusive, por meio do ambiente virtual. O Sistema Mineiro de Inovação (Simi) conecta atores dos três setores da tríplice hélice, atuando como articulador de interesses para a promoção do desenvolvimento econômico. Além de ações presenciais, como encontros de inovação entre governo, empresa e universidade – já foram realizadas 1,8 mil reuniões em três anos –, o Simi também utiliza como plataforma de conexão uma rede social (www.simi.org.br). Para o gestor do programa, Paulo Adriano Borges, articuladores como o Simi e a Vinnova desempenham importante função para impulsionar essas conexões. Quando há o objetivo claro de desenvolver uma região, como no caso de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, não se pode esperar que a inovação ocorra espontaneamente. É preciso ter agentes promovendo a articulação para criar um ambiente promissor”, ensina.

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Arenas

Inovação na prática

Paralelamente à programação principal, o Open Innovation Seminar abrigou arenas que pautaram a inovação aberta de modos particulares; realizadas por patrocinadores, elas integraram a realidade de organizações inseridas no contexto da inovação à discussão mais ampla do evento

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Arena CISB


Encontro do CISB contou com a assinatura de importantes documentos para promover o intercâmbio entre Brasil e Suécia

Promovida pelo recém-criado Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro (CISB), a Arena CISB reuniu pela primeira vez em um evento de grande porte os principais integrantes da organização, incluindo atores presentes em cada uma das bases da tríplice hélice empresa-governo-universidade de ambos os países. Essa interação – que envolveu uma delegação de mais de 40 suecos – norteou o Primeiro Encontro Anual do CISB, que criou as arenas Security e Transport. Elas foram organizadas a partir da identificação de grandes áreas temáticas relacionadas aos desafios e possibilidades de atuação de ambos os países.

Na Security Arena, os profissionais buscaram alternativas para projetos de colaboração relacionados a questões sociais. O programa tem o objetivo de reforçar a habilidade de lidar com crises e a capacidade de enfrentar problemas sociais. Além de apresentar o modelo sueco de pesquisa e desenvolvimento na área de segurança, foram discutidas alternativas de segurança para serviços urbanos como infraestrutura, transporte e fornecimento de água; sistemas de informação e comunicação; e para atendimentos relacionados ao serviço de saúde. Já a Transport Arena pautou um dos principais desafios enfrentados por governos brasileiros e relacionados, de forma ampla, às questões como tráfego urbano, combustíveis renováveis e transporte de longa distância. O secretário de Estado dos Transportes Metropolitanos de São Paulo, Jurandir Fernandes, ressaltou a relevância dessa discussão. Ele acredita que a mobilidade é um desafio urgente do país.

Outro grupo de discussões abordou o conceito de Capability Development Centre (CDC), alternativa de organização temática do conhecimento para atuação em setores específicos da sociedade ou em grandes eventos. Com a proximidade da Copa do Mundo e das Olimpíadas no Brasil, o modelo se mostra conveniente para o desenvolvimento de soluções baseadas em equipes multidisciplinares. A adoção do modelo é inédita no país e se inspira nas experiências sueca e sul-africana. Inclusive, o evento contou a participação de uma delegação sul-africana com cinco representantes.

Outra arena de trabalho foi a Open Innovation Arena & International Collaboration, que objetivou fomentar discussões sobre as alternativas para o desenvolvimento conjunto de projetos, em reunião com representantes das agências brasileiras de fomento. Na oportunidade, quatro membros do Centro apresentaram seus principais projetos de inovação. Essa discussão envolveu representantes da Fapesp, CNPq, CAPES, Ministério das Relações Internacionais, além de BID, ABDI e Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Foi assinado um documento para a criação de bolsas de estudo para estudantes brasileiros na Suécia e professores visitantes suecos. Destinadas a alunos de doutorado, pós-doutorado e pesquisadores plenos, elas serão cofinanciadas pelo CNPq e a SAAB, dentro do Programa Ciência sem Fronteiras do Governo Federal. O acordo foi assinado entre CISB-CNPQ-Saab, oferecendo cem bolsas em quatro categorias. Foram estabelecidas cinco cartas de intenções, que envolveram três universidades suecas e dois membros do CISB para participações futuras no programa.

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Arena Wayra


Antes de apresentarem seus projetos para a banca de especialistas da Arena Wayra, concorrentes tiveram contato com profissionais experientes para ajustar os últimos detalhes

A Arena Wayra, promovida pela Telefônica/Vivo, foi palco de uma disputa entre 30 empreendedores por vagas na aceleradora, que busca identificar e reter talentos no país nas áreas de inovação e tecnologia. Os projetos apresentados foram julgados por uma banca composta por especialistas de mercado e, ao final, foram anunciados dez vencedores. Desses, seis são de São Paulo, dois de Minas Gerais, um do Rio de Janeiro e um do Rio Grande do Sul. As equipes participarão agora de mentoring oferecido pela empresa e receberão entre US$ 30 mil e US$ 70 mil cada um, espaço físico, infraestrutura, apoio à gestão e as ferramentas necessárias para impulsionar o desenvolvimento da ideia.

Dos dez projetos premiados, seis são de São Paulo, dois de Minas Gerais, um do Rio de Janeiro e um do Rio Grande do Sul. Dois dos trabalhos premiados são de e-commerce (Eu Decido e RockBee), dois de crowdsourcing (Logueria e YouCast), três de mobile (Spotwish, FilaExpress, e aaTag), um social(Wikimapa), um de crowdsourcing e educação (Professores de Plantão) e um de mobile commerce(Fingù).

O júri do Wayra Brasil, formado por profissionais das áreas de inovação e empreendedorismo, avaliou os 30 projetos finalistas – de um total de 518 inscritos de todo o país – para chegar aos dez contemplados. Dos projetos finalistas, 47% foram inscritos por equipes de São Paulo. As vencedoras serão alocadas num mesmo espaço denominado Academia, que já está em obras e que começará a funcionar em fevereiro de 2012. O objetivo é promover o intercâmbio de experiências e gerar um ambiente de efervescência de ideias.

O resultado completo pode ser conferido no site www.wayra.org/br.

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Arena PuraInova


Tendo a inovação aberta como pilar estruturante de seus negócios, a empresa de dermocosméticos PuraInova reuniu parceiros para ampliar sua rede colaboração

Realizada no último dia do Open Innovation Seminar, a Arena PuraInova realizou um encontro fechado para cerca de 30 pessoas com o apoio da Allagi para lançar sua rede virtual de colaboração. O evento marcou o início de uma nova fase nas redes de cocriação da empresa, que inclui médicos dermatologistas brasileiros. Todos os colaboradores irão participar da rede propondo ideias a partir de desafios criados pela empresa. Além disso, as áreas de P&D, Planejamento e Relacionamento com Fornecedores, Comercial, Marketing e Diretoria terão um novo canal de comunicação e de integração para trabalharem no processo de criação coletiva. Os próximos passos serão a inclusão das dermoconsultoras e dos dermatologistas na rede.

A ação dá continuidade a uma linha adotada pela empresa desde sua criação. Concorrente no mercado brasileiro de organizações como Lancôme e L’Oréal, a empresa aposta na inovação aberta para aumentar seu potencial de competitividade. Com essa estratégia, foca no desenvolvimento de produtos oferecidos especificamente para brasileiras, com base em estudos das propriedades da água mineral nacional e procurando estabelecer preços mais competitivos.

Além de aumentar o potencial de inteligência e criação da empresa, a inovação aberta é importante ferramenta no relacionamento com os dermatologistas – público estratégico por ser responsável pela indicação dos produtos da empresa às consumidoras finais.

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Arena Corporate Venturing no Brasil


Carlos Arruda, Guilherme Souza e Afonso Cozzi participaram da Arena Corporate Venturing apresentando estudo realizado pela Fundação Dom Cabral em parceria com a ABDI

A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, em parceria com a Fundação Dom Cabral, realizou, durante a Arena Corporate Venturing, a divulgação da pesquisa “Estratégias e Práticas de Corporate Venturing no Brasil”. Elas apresentaram o conceito como estratégia para as empresas na identificação de novos negócios para completar ou renovar seus portfólios. O estudo é um levantamento das práticas utilizadas por empresas para investir em organizações que estejam desenvolvendo projetos inovadores, tanto interna (na forma de incubação), quanto externamente (chamado corporate venturing capital na forma de participação no capital da nova empresa).

O estudo revelou que, apesar de ser uma prática incipiente no país, apresenta grande potencial de crescimento, podendo ser adotado por companhias que buscam ampliar seus negócios ou desenvolver novas aplicações para suas tecnologias principais. Ainda de acordo com a pesquisa, entre as empresas que adotam o corporate venturing, a maioria investe no formato externo (corporate venturing capital) investindo principalmente em empresas de software. Há também a previsão de crescimento nos investimentos em empresas de serviço, energia, química verde e tecnologias ambientais, em geral.

Um exemplo desse tipo de investimento é o desafio Sua Ideia Vale um Milhão, promovido pelo Buscapé para fomentar o empreendedorismo de startups de base tecnológica voltadas para internet e e-commerce. O projeto selecionou quatro empresas que integrarão o Grupo Buscapé e receberão aporte inicial de R$300 mil, em troca de 30% de participação societária, além de contarem, para dar escalabilidade a seus negócios, com a experiência do criador do serviço de busca de produtos e pesquisa de preços que recebe mais de 60 milhões de visitas diárias.

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