Simi aposta na capacidade de articulação da gestão pública

Equipe multidisciplinar atua para mobilizar agentes da hélice tripla a buscarem no ecossistema mineiro parcerias para a inovação

“Queríamos um plano para a inovação. Tínhamos disponível 1% da arrecadação do estado e deveríamos aplicar recursos em um sistema que fosse além do patrocínio de bolsas e projetos de pesquisa e trouxesse resultados mais diretos”. É assim que o secretário adjunto de Ciência e Tecnologia de Minas Gerais, Evaldo Vilela, começa a história do Sistema Mineiro de Inovação (Simi) – estrutura criada no âmbito da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig) e Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sectes) para articular os diversos recursos do estado em prol da inovação.

Tendo em mãos o desafio de ampliar o papel do governo no sistema de inovação para uma postura mais participativa e intensa, a Fapemig passou a destinar parte de seu orçamento – que em 2011 foi de R$ 282 milhões – a um projeto baseado em comunicação. O problema estava claro: universidade, empresa e Estado estavam trabalhando de forma desarticulada. O desafio era pensar em como reverter esse quadro.

“Alinhamos o conhecimento já consolidado sobre o funcionamento das universidades com um estudo aprofundado sobre o mercado e fomos buscar referências teóricas sobre inovação, como a hélice tripla. Decidimos então colocar esses agentes para conversar”, conta Vilela. Foi então desenvolvida uma plataforma que tinha como meta ser o ponto de encontro entre os diversos agentes que compõem uma rede de inovação. Na rede social que desde 2008 está no ar no endereço www.simi.org.br, é possível expor ideias de pesquisa, encontrar parceiros, buscar material teórico e interagir com profissionais de diversas áreas.

Porém, mais que uma plataforma, o Simi são as pessoas que estão por trás dele. Há uma equipe gerindo e movimentando um sistema de apoio à inovação para estimular a criação de links. “Depois de colocar uma mídia como essa no ar e atrair usuários, não há dúvidas de que o grande desafio é manter as pessoas interessadas e atentas”, aponta Vilela. “Por isso, criamos uma espécie de mesa de observação para o sistema. Se detectamos que há demandas não atendidas, por exemplo, tentamos deixá-las mais visíveis aos públicos que podem se interessar. Quando alguém faz uma pergunta ou proposta, queremos que pessoas-chave respondam”.

Para manter essa engrenagem funcionando, a equipe do Simi é formada por um time multidisciplinar capaz de mapear e entender as diversas esferas no sistema de inovação regional e nacional. Dentro desse time, a comunicação social tem papel fundamental: a equipe precisa colocar ferramentas e processos a favor da mobilização de grupos heterogêneos.

Sistema para além da web

A mobilização que o Simi gera extrapola a mídia virtual. Mais que abrir o canal para a comunicação, a organização de fato coloca os atores para conversarem. “Nós criamos um portal interativo inédito para a área, mas sabemos ele não resolve todo o problema. Ele foi o começo do trabalho. As pessoas precisam também se encontrar pessoalmente. Assim nasceram os Encontros de Inovação”, conta Vilela.

No último ano, as ações do Simi passaram a convergir cada vez mais com as atividades da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais, criando um sistema mais robusto. Uma dessas iniciativas foi o lançamento de editais induzidos: a empresa identifica uma necessidade, busca ajuda na academia e conta com o governo para cofinanciar a pesquisa. Como metade do recurso é investida pela Fapemig e metade pela empresa, na prática, isso significa que o montante destinado à pesquisa se multiplica. Ao mesmo tempo, as empresas se beneficiam por terem demandas particulares resolvidas por grupos de pesquisa nas universidades e com ajuda de financiamento público.

A coordenadora geral do Simi, Brenda Silva, explica que a equipe do Simi muitas vezes desenvolve trabalhos de articulação particularizados, como no caso do Projeto para Atração de Centros de P&D. “Nós identificamos grupos que pretendam construir estruturas de pesquisa e desenvolvimento em outros lugares e fazemos um trabalho de sensibilização para mostrar que Minas Gerais oferece condições vantajosas para a inovação. Foi esse o caso do Csem Brasil, da Coffey e da Ericsson, por exemplo”, ilustra.

Outra iniciativa de destaque criada no âmbito do Simi é o estímulo ao empreendedorismo na pós-graduação. O contato entre as esferas acadêmica e empresarial despertou para a necessidade de transferir para o mercado o conhecimento produzido nas pesquisas não apenas por meio de venda de patentes e colaboração com empresas, mas também pela transformação dos resultados da pesquisa em negócio. Para isso, foram organizados cursos de empreendedorismo para a pós-graduação envolvendo cerca de 600 pesquisadores. “O produto mais valioso dos doutorados não é a pesquisa, mas os doutores em si. Quando essas pessoas altamente qualificadas incorporam um espírito empreendedor, é um ganho muito valioso para o ambiente da inovação”, acredita Vilela.

Todas essas ações se articulam com outros projetos da Sectes. O que começou como uma rede virtual, hoje é uma rede complexa que ampara a inovação no estado. “O Simi é todo o sistema incorporado pela Sectes como um todo, a Superintendência de Inovação e Tecnologia e a Fapemig”, explica o Superintendente de Inovação Tecnológica da Sectes, José Luciano Pereira. “Ações que antes aconteciam nem sempre de forma integrada hoje estão cada vez mais associadas e robustas formando o sistema mineiro. São trabalhos que incluem, por exemplo, o apoio a seis parques tecnológicos e o investimento em incubadoras”.

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