Buscapé mostra o sucesso da parceria entre grande e pequena empresa

Experiência bem sucedida de investimento em startups estimula segunda edição do Sua Ideia Vale um Milhão

No ano passado, os gestores do Buscapé, site de comparação de produtos, tomaram uma decisão estratégica: a empresa se tornaria sócia de uma startup com modelo de negócios inovador em e-commerce e lhe daria condições de crescer e retornar o investimento. Para isso, lançou um desafio, mas, em vez de uma, escolheu quatro. A decisão parece ter sido tão certeira que a segunda edição do Sua Ideia Vale um Milhão já tem data marcada para começar: 4 de junho.
Se o investimento satisfaz o Buscapé, agrada também às empresas sócias. Anuncie Lá, Meu Carrinho, Hotmart e Urbanizo se ligam de formas distintas ao Buscapé, mas, desde o início, reforçavam a sinergia e os recursos que a empresa lhes oferece para alavancar os negócios – dos quais talvez o mais interessante seja o aprendizado e não o investimento financeiro de forma isolada.

Meu Carrinho e Anuncie Lá estão com seus escritórios na sede do site, em São Paulo, já a Hotmart continua em Belo Horizonte e a Urbanizo, em Brasília, mas mantêm forte interação com o Buscapé. Para o representante da equipe de Fusões e Aquisições do Buscapé, Rafael Campos, são o processo de mentoring e o relacionamento estreito que fazem toda a diferença para o sucesso do investimento.

“Quando a startup entra no Buscapé, se assemelha a uma criança na Disney”, brinca. “É importante que entre em contato com as diversas áreas para ir conhecendo as pessoas, os processos, as melhores práticas, e isso gera um crescimento enorme. O feed back que tivemos até aqui foi muito positivo”. É justamente por isso que aprimorar o mentoring é também a meta deste ano. “Aprender a conversar com esses novos empreendedores é um dos desafios do Buscapé, descobrir seus anseios e expectativas também”, diz.

Outro desafio inerente à relação entre empresas de portes tão diferentes está, justamente, nas suas maiores diferenças como estrutura, flexibilidade e hierarquia. Para Campos, esse aspecto não é tão gritante para o Buscapé, pois o site ainda se identifica com o espírito da pequena empresa. “Nós surgimos de uma startup e esse perfil ainda está muito presente em nossa cultura, mesmo depois de ter crescido tanto. Essa flexibilidade ajuda na interação com as novas empresas.

Internamente, procuramos trabalhar com poucas divisões de salas, as pessoas são acessíveis e evitamos cargos para não enrijecer a hierarquia”, conta. No caso dele, por exemplo, pediu para não ser chamado por nenhum cargo específico, identificando-se pela área de atuação.

Sua ideia vale um milhão

Para a seleção que vai de 4 de junho a 30 agosto, o Buscapé espera receber cerca de mil inscrições. Pelo menos cinco pequenas empresas chegarão à semifinal e participarão do processo de imersão no ecossistema Buscapé. Durante uma semana, conhecerão toda a estrutura da empresa, área técnica, jurídica, desenvolvimento de negócios. A escolhida – ou as escolhidas – receberá investimento inicial de R$ 300 mil e passará a fazer parte desse grupo seleto.

Tal relação com as empresas e o próprio método de seleção têm se mostrado um modelo interessante para o Buscapé, apesar de não ser simples. Das 800 propostas apresentadas na última rodada, 796 não foram selecionadas. A empresa diz que se precaveu em relação à segurança das informações com que teve contato para evitar problemas futuros. Campos explica que o Buscapé não teve acesso as informações confidenciais dos produtos, por isso não pode ser acusado de plágio, por exemplo. “Nós temos diversos projetos sendo desenvolvidos internamente pelo site e é muito difícil dizer que em algum deles não há algum tipo de semelhança com propostas apresentadas durante o concurso; o fato é que não sabermos tudo sobre os negócios apresentados e o trabalho desenvolvido internamente acontece de forma independente. Estamos seguros em relação a isso”, afirma.

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