3 em 1: Qual é a principal mudança necessária para o aprimoramento do sistema de inovação brasileiro?

 Álvaro Prata
Secretário nacional de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

“Desde a criação de agências como Finep e Capes, o Brasil cumpriu o desafio de criar uma pós-graduação forte, com bons pesquisadores. Hoje, o aspecto crítico é o investimento do setor industrial, que precisa aumentar muito. O governo federal tem como principal desafio criar as condições necessárias para que as empresas e as indústrias se engajem no projeto de inovação nacional. No Brasil, cerca de 1,2% do PIB é destinado à inovação, o que representa menos da metade da proporção encontrada na Suécia (3%), um dos países mais inovadores do planeta. A diferença também é que, no Brasil, a maior parte do investimento é feito pelo governo, enquanto na Suécia e nos demais líderes em inovação a concentração está no empresariado. Portanto, entendemos que é preciso envolver esse setor, identificando as causas da baixa participação. O Brasil é um país caro para a indústria, com alto custo de infraestrutura. Temos tentado diminuir esse peso, barateando a energia elétrica, oferecendo incentivos fiscais e subvenção em áreas estratégicas. Tudo isso para tornar mais atraente para o setor industrial investir em inovação, mostrando que se transforma em retorno para os negócios. O Brasil precisa entrar em um ciclo positivo de inovação, e o governo tem o papel de estimular esse movimento”.

 Carlos Américo Pacheco 
Reitor do Instituto Tecnológico da Aeronáutica

“Todos os países precisam investir em ações horizontais e verticais para um resultado efetivo em inovação, sendo as ações horizontais as medidas de efeito mais genérico para compensar os custos sistêmicos que criam desvantagens competitivas e compensam os riscos da pesquisa e desenvolvimento. As medidas verticais se expressam em apoios setoriais com objetivos mais estratégicos. No Brasil, as políticas para inovação são especialmente horizontais, como a Lei do Bem. Precisamos muito de instrumentos verticais mais fortes com foco na capacitação tecnológica de setores específicos, selecionados visando prioridades de longo prazo. Como exemplo de que ações verticais funcionam, temos o que foi feito para apoiar o setor sucroalcooleiro, que recebeu condições para o escalonamento industrial da produção de etanol de segunda e terceira gerações. Essa iniciativa pode e deve envolver participação, mas pressupõe, sobretudo, uma capacidade de liderança e orientação governamental. Outro aspecto importante é o foco no mercado exterior, pois, atualmente, a politica de importação e exportação brasileira não tem nenhuma interface com a inovação”.

 Rafael Luchesi 
Diretor do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e diretor de Educação e Tecnologia da Confederação Nacional da Indústria (CNI)

“Há um longo e difícil caminho a ser percorrido para que a inovação se transforme em prática corrente nas empresas brasileiras. Precisamos investir em mobilização, capacitação e informação para elaboração e execução de projetos de inovação. Não é mais possível ignorar o fortalecimento da inovação nas pequenas empresas. É mínima a participação delas nos investimentos em inovação e desenvolvimento tecnológico e uma boa alternativa para tentar reverter esse quadro é apoiar mais efetivamente os arranjos produtivos locais como forma de atuar em larga escala na melhoria da inovação no segmento – essencial para o desenvolvimento do país pela sua capilaridade, agilidade e absorção de mão de obra. Além disso, é verdade que o Brasil está atraindo alguns centros de pesquisa e desenvolvimento de empresas globais de ponta, mas é viável trazer ainda mais projetos. E uma das formas para isso é o apoio das agências de fomento a investidores e a subsidiárias instaladas no país”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *