Aliança entre grandes e pequenas empresas gera bons negócios

Robustas, com processos bem definidos e alta capacidade de investimentos, as grandes empresas têm amplo potencial para inovação. Porém, são também lentas, mais burocráticas e têm menos capacidade de mudar se comparadas com empresas pequenas. De estruturas enxutas, flexíveis e altamente dinâmicas, as startups são as organizações mais propensas a gerar inovações radicais, mas, por sua vez, ficam atrás das grandes em relação ao volume de recursos que são capazes de aportar em um projeto, bem como a extensão de seu networking e sua rede de fornecedores e parceiros.

Cada uma com suas peculiaridades, empresas de diferentes portes têm enxergado na aliança o caminho para somar vantagens e aumentara capacidade de inovação. Enquanto as grandes empresas costumam se enquadrar no chamado modelo de inovação corporativo – guiado por estratégias mais sólidas que pautam o dia a dia da organização –, as menores estão mais próximas do modelo empreendedor – em que a iniciativa pessoal dos colaboradores tem forte peso.

O professor de administração da ESPM, Marcos Hashimoto, explica que, para superar as limitações que o tamanho da corporação tende a impor sobre o processo de inovação, algumas empresas desenvolveram uma capacidade que ele classifica como “ambidestra”: um braço da organização cuida do dia a dia, preza pela eficiência, produtividade e definição dos melhores processos, e outro atua em uma estrutura paralela, com mais flexibilidade e estímulos à criatividade no esforço pela criação de novas ideias. “Essa é uma classificação teórica e é difícil apontar a situação ideal na prática, mas há exemplos que se aproximam, como o caso da aceleradora de negócios Wayra criada pela Telefônica”, afirma.

Ele aponta para um processo que vem se intensificando no Brasil. Players já bem estabelecidos no mercado saem em busca de startups que apresentem ideias que vão ao encontro dos interesses da empresa. É o caso, por exemplo, da Siemens, que está selecionando planos de negócios promissores ou apresentações de empresas já formadas para seu programa New Ventures Forum. Os selecionados receberão investimentos de até R$ 1 milhão, além de capacitação e treinamento oferecidos pela Siemens. Bom para os dois lados, já que um pode incorporar novas tecnologias de interesse e o outro tem um importante impulso para crescer.

Hashimoto ressalta que a experiência de venture capital não é novidade no Brasil, mas as iniciativas que se observam recentemente são, sim, um novo movimento. “O que existia antes eram investimentos em empresas nascentes com o objetivo único de fazê-las crescer e se valorizar e de vendê-las em seguida, multiplicando o retorno do investimento. Agora, as decisões de investimento são tomadas em conjunto com o departamento de inovação, que buscam também ganhos internos”, diz. “Algumas grandes empresas se deram conta de que suas estruturas são muito burocráticas e têm limitações em relação aos riscos e cultura da inovação. Assim decidiram inovar do lado de fora nesse tipo de acordo que resulta em cooperação mútua”.

Já a empresa de TI Ci&T também tem investido em ideias empreendedoras, mas geradas internamente. A companhia aporta entre R$ 100 mil e R$ 500 mil em projetos pessoais dos colaboradores que não concorram com o negócio principal. A organização percebeu que, com o perfil inovador de seus colaboradores, era natural que em algum momento eles decidissem partir para projetos solo. Em vez de inibir o movimento ou se preocupar com essa tendência, a empresa passou a ajudar a dar corpo a esses negócios, tornando-se sócia. Assim, cria oportunidades interessantes para os funcionários, mantém os talentos colaborando com a organização e adiciona novos negócios a seu portfolio.

Neste ano, o Open Innovation Seminar OIS 2012 lançará fóruns permanentes de gestão da inovação aberta. O tema “Modelo de inovação corporativo versus modelo de inovação empreendedor” pautará um dos fóruns.

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