Parcerias levam novidades do laboratório para o mercado

Muito se fala no meio de inovação aberta sobre a importância de ligar diferentes atores para a geração de inovação, e uma das formas mais interessantes de parceria está no desenvolvimento colaborativo de projetos de pesquisa e desenvolvimento. Nesse tipo de iniciativa, conhecimentos e expertises distintos são colocados a favor de uma nova criação, gerando avanços científicos importantes. Empresas de pesquisa – privadas ou governamentais – exercem papel importante para esse tipo de parceria, pois estão na mediação entre a prospecção e geração de conhecimento e o atendimento a demandas e criação de novas oportunidades de mercado.

 PeD Colaborativo – Laboratorio Embrapa Soja
Foto Gustavo Porpino

No exterior, há diversos cases de parcerias que geram inovações de alto impacto por meio desse modelo. A TNO, organização holandesa privada para pesquisa aplicada, tem como missão conectar pessoas e conhecimentos para criar inovações que garantam a competitividade industrial e gerem benefícios sociais. O exemplo mais recente de projeto aberto pela TNO é a produção de energia solar a partir de células fotovoltaicas aplicadas ao longo dos 137 mil quilômetros de rodovias do país – pesquisa que está sendo desenvolvida em conjunto com a empresa de construção Ooms Avenhorn Groep e a empresa de engenharia e energia Imtech.

Já no Brasil, dois casos relevantes são a Embrapa, empresa pública voltada para pesquisa agropecuária e o CTBE, instituto de pesquisa focado na produção sustentável do etanol a partir da cana de açúcar. As duas organizações desenvolvem pesquisa em conjunto com universidades e empresas com foco em sua aplicação em âmbitos economicamente estratégicos.

Segundo o chefe da secretaria de negócios da Embrapa, Filipe Teixeira, a inovação aberta faz parte do modo de trabalhar da empresa desde sua criação, e isso inclui a realização de pesquisas em cooperação. “A Embrapa desenvolve projetos colaborativos em diversos níveis e a pesquisa e desenvolvimento em conjunto é um deles”, diz. “O nosso modelo é justamente interagir para entender os problemas do campo e as peculiaridades no acesso às tecnologias”.

A própria empresa desenvolve trabalhos internamente, mas com diversas parcerias com universidades e indústrias. Para Teixeira, os desafios relacionados à propriedade intelectual nunca foram um entrave na realidade da empresa. “Temos longa experiência com a questão da propriedade intelectual e a utilizamos para trazer novos parceiros. Reconhecemos os detentores de tecnologia que são de nosso interesse e parceiros para novos desenvolvimentos. Se é uma instituição privada, avaliamos um modelo de negócios que garanta um retorno e viabilize a comercialização”, explica.

Um exemplo de parceria da empresa é a cooperação na produção de soja com a Basf. A multinacional possuía a titularidade de um gene que confere resistência aos grãos e procurou a Embrapa para seu melhoramento e criação de uma nova espécie. O resultado da pesquisa já foi licenciado por meio de uma patente compartilhada e começará a ser explorado comercialmente. Em 2013, deve estar disponível tanto para cultivo quanto para que outras empresas, inclusive concorrentes, deem continuidade à pesquisa do grão.

Já o CTBE tem importante participação no aumento histórico de produtividade da cana de açúcar – a partir de novas tecnologias e processos para o campo, a capacidade de produção de etanol subiu 125% nos últimos anos, o que ajudou o Brasil a se tornar destaque mundial no setor. “O Brasil domina completamente o processo de produção do combustível e precisa manter investimentos em pesquisas para se tornar um ofertante significante em cenário internacional”, afirma o diretor científico Marcos Buckeridge. “Para isso, temos que tirar mais álcool de uma quantidade de terra finita, aproveitando o bagaço da cana (etanol de segunda geração) e tornando-o mais barato”.

Um dos papeis-chave da organização é ajudar o pesquisador a escalonar processos desenvolvidos em nível laboratorial – um dos principais desafios da inovação. Essas cooperações podem ocorrer de diversas formas: pesquisa e desenvolvimento em conjunto, provisionamento de infraestrutura, intercâmbio de recursos humanos, co-investimento em projetos de alto risco e criação de novas companhias a partir das tecnologias criadas.

Neste ano, o Open Innovation Seminar OIS 2012 lançará fóruns permanentes de gestão da inovação aberta. O tema “Pesquisa e desenvolvimento colaborativos” pautará um dos fóruns.

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