Parques tecnológicos lideram e estimulam redes para gerar inovação

Criados no entorno de universidades e em áreas de grande potencial de desenvolvimento econômico, os parques tecnológicos têm se firmado no Brasil como importantes ecossistemas de inovação. Além de basearem seu funcionamento na dinâmica da hélice tripla, criando ambientes propícios para a inovação aberta, os parques tecnológicos exercem forte influência sobre o desenvolvimento à sua volta, atraindo empresas de base tecnológica, pesquisadores e investidores.

Na definição do vice-presidente da Anprotec, Jorge Audy, ecossistemas são ambientes abertos que permitem um fluxo de conhecimento que se move facilmente entre as esferas das empresas, universidades e governos em ambientes que podem ser fisicamente delimitados ou não. “Os parques tecnológicos são um exemplo entre outros ecossistemas, mas têm uma relevância por serem as apostas do momento no Brasil – num movimento que começa com mais força na última década”, diz. “É um processo bastante tardio se considerarmos que Stanford, pioneira nessa estrutura, criou seu parque na década de 1950, mas ainda assim importante”.

Audy é também pró-reitor de pesquisa e pós-graduação da PUC-RS e diretor do Tecnopuc, um dos parques mais bem sucedidos do país. Com 12 anos de atividade, o empreendimento tem mais de 80 empresas instaladas e reúne as marcas de 5600 empregos gerados e 100 startups criadas. O especialista acredita que o exemplo ilustra bem o papel que os parques cumprem na interlocução entre agentes geradores de inovação. Dentro do Tecnopuc, a partir de parcerias híbridas, foram criados diversos centros de pesquisa e desenvolvimento, como os Centros de Referência em Energia Solar, Sequestro de Carbono e Tuberculose, bem como o Instituto do Cérebro – todos detentores de tecnologia de ponta em suas especialidades. “Esses centros são exercícios de inovação aberta que geram um valor agregado muito grande, seja na criação de novos produtos ou empresas, seja na atração de investimentos”, afirma.

Diversas regiões do país têm percebido os benefícios de fazer parte de um ecossistema ativo e estão investindo em novos empreendimentos. O coordenador do Centro de Empreendedorismo do Insper, Marcelo Nakagawa, lembra que, para que os parques desempenhem verdadeiramente seu papel de articuladores e concentradores de agentes de inovação, é preciso que sejam trabalhados com uma visão complexa. “A infraestrutura e a criação de incentivos são positivos, mas, para que um ecossistema se torne ativo de fato, é necessário encontrar e mobilizar lideranças do conhecimento – vindo de universidades ou empresas – e, ao mesmo tempo, lideranças políticas de longo prazo”, afirma. “Não é algo simples de fazer, mas é essencial, pois se os agentes envolvidos se desarticularem, os parques correm o risco de se tornarem ‘elefantes brancos’”.

Criado neste ano, o Parque Tecnológico de Sorocaba nasceu de objetivos bem definidos pelos governos municipal e estadual. A partir de um diagnóstico sobre o desenvolvimento econômico local, a Prefeitura de Sorocaba começou a estudar as potencialidades da região e outras experiências nacionais e internacionais. Tendo entendido a importância da inovação na indústria, o governo municipal passou a se estruturar para apoiar a pesquisa e o desenvolvimento, o que incluiu a organização de uma base legal específica. Sorocaba é o primeiro município a possuir uma lei de inovação própria, aprovada em 2011. A legislação estabeleceu a criação do Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia, do Fundo Municipal para Ciência e Tecnologia e de incentivos fiscais e financeiros para a área.

Em junho, o parque foi inaugurado, sendo o segundo no estado de São Paulo com credenciamento definitivo e o primeiro multiuniversitário. O presidente do parque, Carlos Costa, explica que ele foi criado para protagonizar o ecossistema da região de Sorocaba, mas que essa rede já vinha sendo construída anteriormente e é por isso que o projeto nasceu tão bem costurado. “Há no município uma conselho consultivo para ciência, tecnologia e inovação formado por representantes da tríplice hélice, além de sindicatos e profissionais. Esse perfil variado contribui para levantar de forma mais efetiva os diferentes interesses e oportunidades na área de inovação”, acredita.

Para Costa, o ecossistema se materializa desde as relações do conselho e das organizações locais até o relacionamento estabelecido com outros parques no Brasil e exterior, já que o empreendimento faz parte de associações com o IASP e possui acordo de cooperação com parques de outros países. Apesar de serem redes de relacionamentos que dependem de diversos atores, as articulações de um ecossistema são realizadas por protagonistas ativos. “Definimos áreas de prioridades no município e as relações que vamos estabelecendo seguem sempre esse norte”, diz Costa.

Segundo Nakagawa, a articulação de ecossistema é um trabalho contínuo e permanente: “criar redes ativas é uma tarefa difícil, que depende da presença de diferentes agentes de inovação numa região, bem como da maturidade dos participantes”. “O Porto Digital, que é um exemplo bem sucedido de ecossistema, levou cerca de dez anos para se tornar um polo reconhecido e respeitado – e isso porque a região já possuía todos os elementos de um ecossistema, que precisaram apenas ser articulados. Em outras áreas, esse trabalho pode demandar muito mais esforço”.

Neste ano, o Open Innovation Seminar OIS 2012 lançará fóruns permanentes de gestão da inovação aberta. O tema “Ecossistemas de inovação” pautará um dos fóruns.

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