Inovação através de redes colaborativas

Marcelo Prim, Allagi

A inovação é elemento fundamental para a competitividade e consequente sobrevivência das empresas, que enfrentam hoje o desafio de introduzir produtos, serviços e ideias inovadoras em um mundo que se transforma com velocidade cada vez maior. Essa necessidade de inovação traz também o desafio de gerar valor de maneira mais rápida para aproveitar as oportunidades de mercado. O problema é que, por vezes, essa velocidade acaba por cegar as empresas quanto a certas demandas de mercado que exigiriam um processo de criação diferenciado. Impõe-se assim uma limitação para o surgimento da inovação disruptiva – aquela que, mais que melhorar produtos ou processos já existentes, traz algo totalmente novo para o mercado, podendo inclusive mudar os rumos de um setor. Como consequência, temos um elevado grau de inovação incremental, cujo resultado pífio alimenta esse ciclo vicioso.

Nesse contexto, mais que apenas receber feedback de seus consumidores e pessoas, diversas empresas têm demonstrado sucesso na interação com redes colaborativas no processo de inovação. Em um primeiro nível de maturidade, empresas estão buscando em programas de ideias o aumento do espectro de possibilidades de demandas e soluções técnicas. Embora pareça ser um passo simples, programas de ideias representam um enorme desafio para as empresas por diversos fatores.

O primeiro fator é a criação de uma rede colaborativa. Embora existam redes sociais em torno de marcas, produtos e serviços, essas não estão direcionadas em torno de desafios de empresas. Para tal, faz-se necessário ativar e moderar essa nova rede colaborativa.

O segundo fator é a quantidade massiva de pessoas, ideias e interações. Nesse caso, é preciso elaborar processos colaborativos, métodos de criação, regras e regulamentos bem estabelecidos e comunicados, e uma plataforma virtual que permita a colaboração entre os participantes da rede e a empresa.

Programas de ideias e desafios são especialmente interessantes quando se deseja um rápido engajamento em torno de um tema específico, ativando a criatividade dos participantes da rede colaborativa. O desafio é o elemento motivador que serve também para mobilizar pessoas que não necessariamente estariam envolvidas na resolução de um problema em torno de um assunto de interesse comum. Uma vez estabelecida a rede, os participantes trabalham com contribuições de ideias, estratégias ou qualquer que seja o problema postulado, em prol dos desafios das empresas.

A construção de um programa de ideias e desafios passa por duas fases de estruturação: a de rede e a de processos. Na estruturação de rede, são feitas a identificação de público de interesse e a análise dos motivadores para engajamento da rede, além do estudo de modelos de recompensa e premiação. É importante que a rede seja qualificada nesse momento: públicos diferentes exigem abordagens personalizadas. Na estruturação de processos, são elaboradas as etapas divergentes (criação de ideias) e convergentes (escolha das melhores ideias) e são arquitetadas as formas de autorregularão do processo. Também é nessa etapa que são envolvidos os participantes internos e externos e definidos os critérios para a tomada de decisão.

Na ativação da rede, é importante que os colaboradores participem e que sejam adotadas estratégias de divulgação efetivas e presenciais, mesmo que a plataforma colaborativa seja virtual. Palestras presenciais em universidades ou apresentação do diretor aos funcionários são boas alternativas, dependendo do objetivo e do público envolvido.

A moderação e a animação da rede são fatores essenciais para que a execução atinja os objetivos propostos. É preciso que existam moderadores que deem dicas e sugestões, orientem e corrijam eventuais erros. Também, para que todo o processo seja potencializado, o método e as ferramentas usadas devem permitir a sistematização do processo estruturado, de maneira flexível e ágil. A implantação de uma plataforma virtual deve permitir, essencialmente, a colaboração a qualquer momento, de qualquer lugar, para a captura de ideias, a avaliação pela comunidade e dos julgadores e um conjunto de métricas para avaliar a produção e fornecer dados para a gestão. Todo o processo termina com a revisão e a discussão das lições aprendidas.

As plataformas colaborativas permitem às empresas utilizar uma rede para cocriar, trazer informações e valores de fora para que os produtos avancem em consonância com as demandas dos consumidores. Ao migrar de uma maneira de trabalhar estruturada em departamentos para uma baseada nas redes de colaboração, a empresa tem a possibilidade de se inserir no mercado de maneira moderna e competitiva. O programa de ideias e desafios representa uma mudança de cultura na qual o papel da empresa é descobrir os valores existentes nas redes colaborativas, e orquestrar a inovação com os recursos internos. Entretanto, esse processo não é, necessariamente, uma novidade. A cultura de redes de colaboração já existe, cabe às empresas decidirem se irão se inserir ou não.

“*As melhores práticas em relação à criação e manutenção de redes serão abordadas durante o curso “Programas de ideias e desafios”, que será ministrado no dia 14 de novembro, durante o Open Innovation Seminar.”

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