O desafio de se deixar orientar por desafios

Bruno Rondani, chairman do 5º Open Innovation Seminar

O Brasil tem amadurecido de forma significativa no tratamento da inovação na última década. Mesmo com muito a fazer, o aspecto – essencial – da mobilização parece se mostrar muito mais promissor. A realização do 5º Open Innovation Seminar – com seu formato dinâmico e alto número de participantes de nível qualificado – só é possível porque toda uma rede de atores tem se atentado para a necessidade de avançar em conjunto. Um dos principais avanços que vemos é que empresas, universidades e o governo estão percebendo que é preciso abrir as portas para a colaboração.

A exemplo dos países líderes em inovação, está claro que identificar os desafios, traçar prioridades e atuar em conjunto são a estratégia que mais traz resultados. Não é à toa que o 5º OIS foi dividido em arenas. Está se percebendo que o sistema nacional de inovação precisa, sim, continuar atraindo mais pessoas e introduzi-las no debate da inovação aberta. Mas precisa também – e talvez muito mais – que quem já faz parte desse grupo trabalhe de forma articulada. O foco não pode mais ser apenas o desenvolvimento de um novo produto, a criação de um conhecimento ou incentivos para o crescimento econômico de curto prazo. Há que se focar em grandes desafios do país para os quais ainda não existem respostas fáceis como tem dito em pronunciamentos públicos e entrevistas alguns dos maiores especialistas brasileiros em inovação.

O secretário nacional de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Álvaro Prata, por exemplo, aponta que hoje é crítico para o país, que já possui uma base sólida de pesquisa, criar condições para que o setor industrial se engaje no projeto nacional. Para tanto, admite que o governo deve adotar medidas que amenizem os altos custos que pesam sobre o setor. São ações que seguem esse caminho o barateamento da energia elétrica, os incentivos fiscais e a subvenção.

Do lado da academia, o reitor do Instituto Tecnológico da Aeronáutica, Carlos Américo Pacheco, reforça a necessidade de investir nas ações horizontais, que reduzem os custos sistêmicos, mas mostra que é preciso focar muito mais em apoios setoriais estratégicos com foco na capacitação tecnológica de setores específicos, selecionados segundo prioridades de longo prazo. Para ajustar parte desse diálogo, a arena “Mecanismos Públicos de Incentivo à inovação” discute fomento. As divergências, complementariedades e pontos de vista serão trabalhados em conjunto ao longo de um dia, abrindo caminhos para ajustes e novas medidas cada vez mais compatíveis e eficazes.

O diretor do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e diretor de Educação e Tecnologia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Rafael Luchesi, lembra do fortalecimento das pequenas e médias empresas e sugere o aumento da participação dessas organizações nos arranjos produtivos locais. Para ele, essa medida é essencial pela capilaridade, agilidade e capacidade de absorção de mão de obra.

Há ainda os processos de atração de centros de inovação de empresas globais para o Brasil, fator que precisa ser potencializado na visão de Luchesi. Para falar sobre as lições já aprendidas e os desafios na atração de novas multis, foi criada a arena “Centros de P&D de multinacionais no Brasil”. Tanto Luchesi quanto Prata ressaltam a importância de se abrir para o exterior, seja se inspirando em países líderes, que estarão no OIS, como a Suécia, seja suprindo a falta de políticas públicas brasileiras de inovação para um alcance global.

Muitos dos desafios já são bem conhecidos pelos praticantes de inovação aberta, repetidos e reforçados pelos principais profissionais da inovação. Por isso, além de debater e convencer uns aos outros, os atores dessa rede precisam trabalhar juntos. Encontros de inovação são momentos em que se consegue reunir centenas de pessoas com vasta bagagem e experiência e uma importante diversidade e percepção da inovação na prática. São, portanto, oportunidades excepcionais para praticar a inovação aberta e, assim, avançar de forma concreta e acelerada.

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