Deficiência em inovação torna o Brasil dependente de importações

A inovação aberta ainda é pouco praticada no complexo de saúde brasileiro. A crítica foi apontada de forma unânime por especialistas do governo e da iniciativa privada que participaram da arena Saúde, Bem Estar e Assistência Médica. Para os gestores da área, isso torna o país dependente em relação ao conhecimento e à tecnologia que só são encontrados fora do país.

 Jorge Kalil, diretor do instituto Butantan

Segundo o diretor do instituto Butantan, Jorge Kalil, um número marcante que revela essa situação é o de recursos públicos gastos com medicamentos: 40% do volume de recursos se destinam a comprar 2% do volume total adquirido. Esses 2% têm alto custo e são compostos por medicamentos biológicos – remédios produzidos a partir de células vivas – que ainda são majoritariamente importados. A crítica é amparada pela previsão de que os custos com saúde tendem a aumentar ininterruptamente nos próximos anos. A previsão do Ministério é que, até 2017, sejam gastos cerca de R$ 87 bilhões por ano com saúde.

Apesar de um consenso quanto à necessidade de inovar, a indústria farmacêutica brasileira ainda se concentra fortemente na produção de medicamentos genéricos e ainda precisa realizar investimentos mais intensivos para mudar de patamar, incluindo em suas atividades a pesquisa de novos medicamentos que garantam o crescimento sustentável do setor. O diretor do Instituto do Coração, José Ramirez, ressalta o peso da burocracia brasileira na aprovação de projetos e liberação de pesquisas, o que trava o processo de inovação no país e dificulta o estabelecimento de parcerias com players internacionais.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *