O desafio de encarar a sustentabilidade como negócio

 Ecologia industrial: por uma indústria competitiva e sustentável

Ao contrário do que muitos pensam, a sustentabilidade ambiental pode ir além da responsabilidade organizacional e ser um caminho de ganhos para as empresas, aumentando a competitividade e reduzindo custos. Esse foi o mote da Arena Ecologia Industrial, liderada pelo Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-brasileiro, que discutiu a possibilidade de melhorias ambientais através do aumento da eficiência em processos internos e do relacionamento entre as indústrias. “As empresas sempre têm de ganhar dinheiro e a ecologia industrial pode ser um caminho, com fontes de energia mais baratas e novos mercados consumidores: o biogás gerado por uma empresa como resíduo, por exemplo, pode ser vendido para outros mercados. É só uma questão de tempo para ter o retorno dos investimentos”, afirma Hans Björk, pesquisador da Universidade de Borås, na Suécia.

Cases brasileiros apresentados na arena ilustraram como esse processo tem o potencial de trazer inúmeras vantagens competitivas para a indústria nacional. Braskem, Scania, Natura, Verti, Tetra Pak e Petrobras foram algumas das empresas que discutiram o tema. A Braskem, por exemplo, mantém desde 2005 uma ferramenta de Análise de Ciclo de Vida (ACV) inspirada no conceito de Ecologia industrial que contribui para a avaliação de oportunidades para simbiose industrial. “Temos que deixar a economia linear e assumir uma visão de economia circular, em que tudo é aproveitado, reprocessado, para gerar novos negócios, evitar desperdícios e diminuir emissões”, afirma Beatriz Luz, da área de Desenvolvimento Sustentável – Análise de Ciclo de Vida da Braskem.

Na Bioeconomia, Claes Tullin, do SP Technical Research Institute of Sweden, levanta a importância da ação individual. “Os consumidores também afetam a cadeia de emissão de gases e produção de resíduos. Na indústria da comida, por exemplo, é possível diminuir a emissão de gases do efeito estufa com a redução no consumo de carne bovina. Por que não comer mais frango e vegetais e não desperdiçar alimentos?”, provoca. Tullin ainda questiona os subsídios governamentais a fontes de energia não renováveis. “Os políticos precisam pensar em mais políticas de longo prazo, especialmente na área de energia. Há muitas discussões agora sobre desenvolvimento sustentável e crescimento econômico. Os cientistas largaram na frente, os governos ainda têm muito que aprender”.

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