Criatec II abrirá novas oportunidades para empresas nascentes

Criada a partir da bem sucedida experiência do Criatec I, segunda edição da iniciativa terá aporte de R$ 186 milhões

Que o mercado brasileiro tem aversão a risco é discurso repetido. Em vez de continuar à espera de uma mudança, o BNDES, seis anos atrás, tomou uma atitude. Lançou o Criatec I, fundo de investimentos amparado por dinheiro público que aposta em empresas nascentes de tecnologia. A decisão, audaciosa e absolutamente atípica do ponto de vista do governo, estimulou uma série de mudanças. Hoje são 36 empresas investidas e está nascendo o Criatec II, segunda edição da iniciativa, que deve beneficiar outras 45 startups.

Além de assumir para si o risco dos investimentos, o BNDES conferiu à iniciativa privada a gestão regional dos investimentos, o que permitiu uma troca mais eficiente na consultoria para os negócios e ajudou a criar a expertise no país. “O Criatec I foi uma curva de aprendizado gigantesco. Praticamente ninguém no Brasil tinha experiência com venture capital e precisamos aprender fazendo”, conta o gestor do Criatec I para São Paulo, Francisco Jardim. A empresa da qual é sócio, SP Ventures, assumirá também os investimentos no estado do Criatec II.

Para Jardim, a evolução do cenário entre o primeiro edital e o atual é clara. “Para além do crescimento das empresas em si, o que se viu foi o fomento da cultura empreendedora em alguns centros de pesquisa, como Esalqtec, Unesp Jaboticabal e USP, assim como a cultura de vender participação no negócio, valorizar o networking e dar importância às práticas de governança corporativa”, afirma.

A contribuição do Criatec se reflete também nos espaços em que a inovação aberta acontece, como a integração entre as universidade e centros de pesquisa com o setor privado e os investidores. Se hoje as iniciativas para empresas nascentes ainda podem ser contadas nos dedos, no começo da iniciativa os casos eram ainda mais raros. “O papel do governo não é ser permanentemente o investidor principal; ao contrário, é o setor privado que deve assumir essa função. Mas o Criatec veio justamente para mostrar para os investidores que esse tipo de negócio dá retorno”, diz.

A nova edição do fundo traz novidades em relação à anterior. No Criatec 2, os recursos são provenientes do BNDES, Banco do Nordeste, Badesul e BDMG. Além disso, o ticket inicial passa de R$1 milhão para R$ 2,5 milhões e o escopo de empresas contempladas aumenta, podendo participar organizações que faturem até R$ 10 milhões.

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