Afinal, o que faz um gestor de inovação?

Nas últimas décadas, as empresas passaram por alguns importantes avanços gerenciais. O foco na qualidade forçou as empresas a desenvolverem processos de produção mais rigorosos. Em seguida a onda do Lean e Six Sigma, estimulou as empresas a adotarem processos empresariais ainda mais severos, eliminando lacunas e criando controles rígidos. Por fim, as empresas adotaram o Downsizing e o Outsourcing, onde qualquer tarefa que pudesse ser eliminada era eliminada e qualquer trabalho que pudesse ser terceirizado por um menor custo era terceirizado.

Neste processo evolutivo das empresas, ao mesmo tempo em que elas se tornaram melhores estruturadas e eficientes, tornaram-se também muito rígidas e, paradoxalmente, frágeis frente as bruscas mudanças do mercado e do ambiente. Em um cenário competitivo cada vez mais dependente da inovação, os avanços gerenciais alcançados nas décadas anteriores passaram a ser seu maior entrave. A partir daí, desenvolver competências para inovar passou a ser o principal desafio organizacional das empresas.

Considerando a crescente importância da inovação e o acelerado ritmo em que é demandada, as empresas passaram cada vez mais a tratá-la como um processo gerencial. Assim como finanças, marketing, produção e vendas, a inovação também passou a demandar profissionais capacitados e especializados. As empresas entendem que não podem mais depender da genialidade individual de um líder extraordinário. Ao mesmo tempo, é cada vez mais compartilhada a ideia de que a inovação não pode ser restringida a um departamento ou função (como P&D, TI, marketing ou alta direção).

Entretanto, inovação é um conceito muito amplo e remete a diversas definições, sem padrão de indústria ou sem uma “certificação” validada. Esse conceito apresenta uma variabilidade enorme entre industrias e até mesmo dentro da própria empresa. Inovação pode ser a incorporação de uma nova tecnologia em um produto, um produto ou serviço totalmente novo, pode ser de processo produtivo ou gerencial, pode ser organizacional ou de modelo de negócios.

Sendo assim, o que faz e quais habilidades deve possuir um gestor de inovação?

Uma boa forma de responder a essa pergunta é observando o que as empresas procuram, como elas especificam perfis para seus agentes de recrutamento encontrarem no mercado. A partir da análise de alguns desses perfis identificam-se as seguintes características comuns.

O gestor de inovação deve ser capaz de traduzir os desafios estratégicos da sua empresa na construção de um portfólio de projetos e iniciativas de inovação. Ao mesmo tempo deve ser capaz de realimentar a formulação da estratégia da sua empresa com informações sobre as tendências e mudanças no ambiente externo. Neste sentido atividades como definição de escopo de projetos de desenvolvimento tecnológico, avaliação de propriedade intelectual e acompanhamento do desenvolvimento científico são fundamentais para este gestor.

Um líder de inovação de sucesso será um executivo altamente flexível e adaptável capaz de gerar valor sustentável e crescimento empresarial. Ele deverá criar e implementar as melhores práticas existentes para uma abordagem holística para a inovação. Deverá ser capaz de criar ou integrar-se a ecossistemas para transformar as oportunidades de inovação em negócios.

Para alcançar tudo isso, certos traços de liderança são imprescindíveis. Conhecimento técnico e boa visão de negócios aliados a habilidade de aplicar técnicas e ferramentas é fundamental. Também é desejável que se tenha agilidade no aprendizado, como um aprendiz incansável e versátil aberto a mudanças assimilando através de sucessos e fracassos. Apreciação a desafios e agilidade estratégica é outro ponto forte.

O gestor de inovação deve ser capaz de cocriar o futuro e antecipar-se a tendências. Articuladamente deve trabalhar com predições claras e executando planos de curto, médio e longo prazo. Este profissional deve fornecer à sua organização o pensamento crítico necessário para determinar as abordagens que melhor se adequam a cada desafio, julgar quais ideias criativas e sugestões podem funcionar e quais não.

Mas, acima de tudo, um líder de inovação deve ser orientado para a ação, gostar de trabalhar duro e ser cheio de energia, superando metas com sucesso e estimulando a si e aos outros sempre em busca de melhores resultados. Tudo isso com integridade e inspirando confiança, sem hesitar em admitir erros e falar a verdade.

Tornar-se um líder em inovação não acontece do dia para a noite, exige formação, experiência e muita dedicação. Os cursos tradicionais não são suficientes para formar gestores da inovação. É necessário uma formação específica que permita um entendimento aplicado de negócios aliado a um repertório pessoal de habilidades, ferramentas e processos, que inclui a compreensão de vários modelos de negócios, proposições e operações. O gestor da inovação não é um super-profissional do qual a empresa depende para inovar, mas uma pessoa que alia boa formação a características pessoais distintas capazes de estimular os outros a inovarem. É preciso investir cada vez mais em cursos capazes de fazer com que os potenciais gestores da inovação tenham acesso às ferramentas e conhecimentos necessários para alcançar o sucesso neste caminho.

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