Empreendedores brasileiros têm opções crescentes para expansão

Empresas nascentes contam com o apoio do governo para incubar e acelerar negócios

O empreendedor iniciante enfrenta um enorme rol de desafios, que podem ir da gestão da propriedade intelectual de seu produto até dúvidas sobre o modelo de negócios e dificuldade para estabelecer contatos estratégicos. Para dar suporte a essas empresas, o país conta com um ambiente já estabelecido de incubadoras e, mais recentemente, tem visto surgirem as aceleradoras.

O modelo de aceleradoras ganha agora respaldo com o Start Up Brasil – programa do Governo Federal com orçamento de R$ 40 milhões que promete alavancar 150 startups de software e serviços de TI até 2014. Em uma parceria com a iniciativa privada, a operação será feita por nove aceleradoras que já vinham se destacando no país com estrutura, profissionais qualificados para mentoria e ampla rede de relacionamentos.

Para Carlos Pessoa, diretor do Wayra – aceleradora mantida pela Telefonica que está entre as selecionadas –, o Start up Brasil “é uma grande validação do governo sobre a importância de apoiar as startups”. Ele acredita que as aceleradoras vêm somar uma função importante ao ecossistema de inovação do país, ajudando a compor um ciclo virtuoso de crescimento.

Ele explica que aceleradora e incubadora cumprem papeis distintos nesse ambiente. “Uma aceleradora está muito focada no desenvolvimento do negócio, especialmente de empresas de cunho digital que possibilitem um processo de maturação muito rápido. A incubadora, por normalmente estar ligada a centros acadêmicos, apoia a inovação em um estágio anterior, de desenvolvimento do produto, quando é importante trabalhar questões como a patente”, difere. “Para criar isso, o tempo é de dois, três anos. Já nas aceleradoras, estamos falando de meses”.

Ainda não existe um relatório oficial que mostre um número exato de aceleradoras em território nacional por se tratar de uma atividade recente no Brasil, mas a Associação Brasileira de Startups conta 25 empresas especializadas no aconselhamento a novos empreendedores. Por outro lado, estudo realizado pela Anprotec em parceria com o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, mostra que, até 2011, o país já totalizava quase 400 incubadoras em operação.

Com 15 anos de atuação, o Cietec – Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia, é um exemplo dessa atuação. Entre as demandas que a organização atende, estão aspectos das áreas de gestão tecnológica, empresarial e mercadológica. Segundo o diretor do Cietec, Sérgio Risola, é comum que empreendedores passem pela incubação e, mais tarde, busquem o apoio de aceleradoras.

João Paulo Oliveira, CEO da Prodeaf é um desses casos. Quando entrou no Wayra, há dois meses, já possuía a experiência de uma incubadora e tinha clareza sobre o que esperar de um modelo e de outro. Com um software para tradução de português para libras (linguagem de sinais) já desenvolvido e prêmios da Microsoft e da ONU em reconhecimento pelo trabalho, seu desafio agora está em fazer o negócio decolar. “Dentro da aceleradora, é criada uma nova oportunidade de negócio quase que semanalmente por meio da rede de relacionamentos que encontro aqui e do ambiente de aprendizagem com empreendedores que deram certo”, conta. “Além disso, a incubação abre portas para grandes clientes que seriam se difícil acesso para uma micro empresa e me faz pensar de forma mais abrangente. Quando comecei, tinha uma visão unicamente nacional para a Prodeaf, mas isso já começa a mudar”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *