3 em 1: O que o governo deveria fazer de novo para estimular a inovação?

Julio Semeghini
Secretário de Planejamento e Desenvolvimento Regional do Estado de São Paulo

“No estado de São Paulo, o foco de novas ações consiste em ter clareza dos vetores de desenvolvimento do estado, seguindo tendências mundiais, com foco em vetores que tenham potencial para impactar positivamente a economia. É o caso do Sistema Paulista de Parques Tecnológicos, que deve incentivar ações regionais, e não apenas locais, articulando e atraindo oportunidades e empresas de base tecnológica. Também é importante fortalecer a Rede Paulista de Incubadoras Tecnológicas no apoio a micro e pequenas empresas de base tecnológica, além de atrair empresas de cadeias produtivas de âncoras e criar mecanismos de apoio a aglomerações baseadas em vocações locais. São Paulo vem desenvolvendo o Centro de Inovação, que prevê articulação com centros de conhecimento e elaboração de diagnósticos locais sobre lacunas tecnológicas ou oportunidades de incremento da competitividade das empresas.”

José Ricardo Roriz Coelho
Diretor titular de Competitividade e Tecnologia da Fiesp

“Garantir um ambiente propício à inovação é a melhor forma de incentivá-la, e isso pode acontecer por meio de elementos-chave, como um contexto macroeconômico favorável: com ritmo de crescimento sustentável, baixo custo e elevada disponibilidade de capital, além de baixa tributação e menor volatilidade do câmbio. O cenário para investimento em inovação no Brasil melhorou significativamente nos últimos anos. O lançamento, em nível federal, do pacote de R$ 30 bilhões para essa finalidade é um exemplo recente dessas novas medidas. No entanto, isto poderia ser complementado com o aperfeiçoamento das questões relacionadas à documentação (excesso de burocracia) e à relação das empresas com as agências de fomento, o que, frequentemente, penaliza principalmente as empresas menores. Igualmente importante é ampliar a abrangência do incentivo fiscal à P&D e à inovação: deve-se aumentar os percentuais dos incentivos existentes, assim como permitir o acesso das empresas que fazem a declaração de IRPJ pelo lucro presumido e pelo Simples.”

Bruno Moreira
Diretor executivo da Inventta

“Num horizonte de curto prazo, refletir nos instrumentos de incentivo e fomento, de forma mais ousada, o reconhecimento que a inovação se dá numa conjunção de frentes que vão além do esforço de pesquisa e desenvolvimento, como novos modelos de negócio, posicionamento, marca, canais de venda. No médio prazo, estruturar um plano abrangente e de longo prazo para mudança do patamar do país em relação ao seu potencial inovador de forma que tal plano possa ser imune às mudanças de governo e gere mais segurança e visão de longo prazo nos investidores privados em inovação do país. Por fim, promover a educação e cultura do empreendedorismo desde o ensino fundamental. No longo prazo, essa é a ação sobre a qual deposito minhas maiores esperanças (e esforços) de mudança do patamar do país no que tange ao seu potencial inovativo.”

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