Grandes empresas se reúnem em benchmarking de inovação aberta

Volvo, Dow, Santander e Oi participaram de encontro em busca de novas práticas para potencializar seus processos de inovação

Quatro empresas de setores, atuação e maturidade distintos sentaram-se em uma mesma mesa com uma busca comum na última semana de março. Volvo, Dow, Santander e Oi participaram de encontro promovido pelo Wenovate – Open Innovation Center, que contou com especialistas da Allagi. O encontro teve como objetivo apresentar iniciativas de gestão da inovação praticadas no mercado. Apesar dos contextos particulares de cada organização, o benchmarking mostrou que alguns desafios similares continuam pautando o dia a dia dos gestores de inovação como um todo, como implantar programas eficientes de ideias e desafios e encontrar as melhores métricas para avaliar seus resultados.

Dow

Ainda que já possua uma área de inovação bem estruturada, a Dow ainda busca aprimorar seus processos de inovação aberta e alinhar as métricas com as estratégias da organização. A engenheira de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, Tammy Fukuoka, conta que atualmente a empresa possui programas colaborativos para a criação de projetos de inovação com seus clientes, parceiros, universidades e fornecedores.

Para cuidar dessas atividades, conta com uma estrutura de inovação descentralizada, que trabalha de forma integrada com um núcleo responsável por gerenciar o plano estratégico da empresa em âmbito internacional. “É sempre mais desafiador a inovação aberta, que envolve diferentes interesses e culturas empresariais. Precisamos estabelecer e cultivar as parcerias, mostrando qual é o valor de inovar conosco. É importante alcançar novos patamares em relação à inovação aberta para gerar mais resultados”, afirma.

Volvo

A líder do Conselho de Inovação da Volvo, Emely Aguiar, conta que, apesar de a empresa ser uma multinacional com processos de inovação já muito bem estruturados mundialmente, a empresa busca aprimorar as práticas nacionais relacionadas à disseminação da inovação no dia a dia de todos os setores. “Nos últimos tempos, nosso desafio está focado na inovação que está além da inovação tecnológica. O objetivo é entender as melhores práticas para potencializar nossos processos e serviços”, diz.

Para isso, a empresa conta com um conselho formado por representantes de diversas áreas. Esse time organiza há dois anos prêmios para estimular a geração de ideias internamente, reconhecendo as ideias que se transformaram em projetos, ou seja, que já apresentaram resultados. Em uma das iniciativas para a geração de ideias, o I9 (inove), diretamente ligada à área de produção, a mobilização do público interno já gera cerca de 30 mil ideias por ano.

Oi

O consultor de Novos Negócios da Oi, Leonardo Siqueira, conta que a sensibilização dos colaboradores é justamente um dos desafios da empresa. A área de inovação foi criada em 2009, após a fusão com a Brasil Telecom, com foco em fomento e gestão de projetos inovadores, além da prospecção de novos negócios. Em 2012, foi criado o Inova, programa estruturado em três processos: a Fábrica Incremental, a Fábrica Exploratória e a Fábrica Exploratória com objetivos e horizontes de tempo diferenciados.

Um dos pilares do programa e o principal meio de disseminação da cultura da inovação é a ferramenta do Mercado de Ideias, que dá suporte às ações de curto prazo da Fábrica Incremental. Já nas ações de médio e longo prazo, a empresa busca trabalhar uma visão unificada do portfólio de projetos inovadores e alavancar um ecossistema de inovação aberta. Em 2011, por exemplo, a Oi lançou uma chamada de projetos para estimular o ecossistema de empresas, universidades e centros de pesquisa para o desenvolvimento de aplicativos móveis com foco no tema da Copa do Mundo. Foram selecionadas quatro aplicações para desenvolvimento e os resultados dessa iniciativa já poderão ser vistos na Copa das Confederações, quando a empresa lançará os projetos.

Santander

O desafio do gerente de Tecnologia responsável pelas ações de inovação do Santander, Ivan Nevado, é ainda maior. Além dos desafios de inovar no setor de serviços, existem as especificidades do segmento bancário. “O fator crítico para um banco é o risco, e inovação lida diretamente com risco. Por isso, é necessário ser conservador quando se pensa no setor”, afirma. Ainda assim, ele acredita que isso não chega a ser uma barreira intransponível. O desafio dos bancos é justamente provar o valor que está agregado à inovação.

Foi com essa motivação que o gestor participou do benchmarking, na expectativa de encontrar experiências aplicáveis ao seu dia a dia. “As ações de games criativos e divertidos da Oi podem ser aplicadas de forma similar à nossa realidade. Por outro lado, precisamos ser cuidadosos ao olhar para o modelo da Dow, por exemplo, que está em um setor muito distinto, mas é importante olhar também para a indústria para amadurecer nosso modelo”, acredita. Segundo ele, o Santander já organiza workshops trimestrais de inovação direcionados a desafios estratégicos desde 2011, mas o modelo ainda é bastante baseado em experimentação. A meta, agora, é transformar esse processo em um modelo consistente e sistematizado.

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