Para que servem as plataformas de ideação

Bruno Rondani, diretor-presidente do Wenovate – Open Innovation Center

Em geral, processos de gestão da inovação são representados no formato de um funil, em que entram ideias e dos quais saem novos produtos, serviços ou processos. Mas como fazer para estimular a geração de ideias? Cada vez mais as empresas estão recorrendo às chamadas plataformas de ideação, que, a partir de recursos de comunicação similares aos encontrados nas redes sociais, prometem engajar os funcionários em um processo colaborativo de criação.

Essas plataformas diferem de empresa para empresa, mas em geral o conceito é que todo colaborador tem a liberdade de publicar uma ideia visível a toda a organização, e seus colegas podem atribuir votos de aprovação e fazer comentários. As ideais mais comentadas e votadas ganham a atenção da alta direção, que, por sua vez, permite que algumas sejam implementadas e seus idealizadores, reconhecidos.

Enquanto alguns executivos se encantam com as possibilidades criadas pela adoção de plataformas de ideação, outros são mais céticos e se perguntam se de fato elas têm o potencial de redesenhar a forma como a organização inova. Não foram poucas as iniciativas frustradas de muitos que se aventuraram nessa direção. Mesmo com um excelente começo, pouco a pouco viram suas iniciativas perecerem pela falta de interesse dos funcionários em se engajarem e da alta direção em continuar investindo.

Tendo essa questão em mente, indaguei nas últimas duas semanas a 10 executivos de grandes corporações qual foi o principal aprendizado que tiverem com o uso dessas plataformas. As respostas convergiram para algumas impressões e lições comuns.

Os gestores envolvidos na criação de plataformas de ideação colocam como motivações principais aspectos ligados à disseminação de uma cultura de inovação e colaboração na empresa, ao mesmo tempo em que as ideais geradas alimentam o processo de inovação.

As plataformas de ideação têm, para muitos iniciadores, o objetivo de engajar os colaboradores nos desafios da empresa, dar voz aos funcionários independentemente de seus cargos e fazê-los se sentirem mais responsáveis e ouvidos pela organização. Ao mesmo tempo, fazê-los interagir uns com os outros, entender as diferentes visões interdepartamentais e cultivar uma relação de colaboração interna.

Por outro lado, para uma plataforma de ideação se manter ativa, ela deve produzir resultados: as ideais devem ser de fato implementadas. Caso contrário, ela perde a força, as pessoas perdem interesse e a alta direção cessa os investimentos.

A principal lição aprendida pelos executores dessas plataformas é que não basta alcançar um grande número de ideias e levar para um comitê formado pela alta direção decidir em qual investir sem que, anteriormente, a empresa tenha definido os critérios para avaliar essas ideias, se estão ou não alinhadas aos objetivos estratégicos da empresa, qual o orçamento e o prazo para investir nas melhores ideias. Da mesma forma, comunicar novamente aos funcionários por que algumas ideais bem votadas e avaliadas internamente não foram aprovadas para implementação. Ou seja, as demais etapas do processo de inovação devem também estar bem definidas.

Outro aspecto importante é que essas plataformas, ao quebrarem as estruturas hierárquicas da empresa, em algumas situações desagradam os médios gerentes, que acabam por desestimular o uso por parte de suas equipes. O aprendizado geral é que os médios gerentes devem ser engajados no processo de mentoria e patrocínio interno das ideias em fases embrionárias, de forma a, inclusive, validar a posição de liderança que ocupam dentro da hierarquia da empresa.

Enfim, o entendimento geral dos praticantes é que talvez a principal função organizacional das plataformas de ideação é engajar os funcionários em uma atitude mais responsável, criativa e empreendedora quanto ao compromisso da empresa em se reinventar, modernizar e inovar. Por outro lado, se esse aspecto mais intangível do benefício do uso de plataformas de ideação não for acompanhado de resultados práticos com a implementação das ideias, a organização perde o interesse  no seu uso e a plataforma tende a desaparecer.

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