3 em 1: O que mudou no cenário da inovação no Brasil nos últimos dez anos e o que esperar para a próxima década?

Paulo Coutinho
Gerente de Inovação, Braskem

“Houve uma evolução grande no governo quanto à legislação e os incentivos para a inovação, entendendo a necessidade de compartilhar o risco da inovação com as empresas. Também aumentou a consciência sobre a importância dos engenheiros. O próprio Ciência sem Fronteiras vem reforçar a qualidade desses profissionais. Em terceiro lugar, o país começa a entender que é preciso priorizar recursos para áreas em que existe vantagem comparativa expressiva ou inerente, como aconteceu com os químicos a partir de renováveis. Para a próxima década, espero um amadurecimento do que já vem sendo feito, juntamente com a evolução da gestão da inovação principalmente nas médias e pequenas empresas, além da melhoria das relações entre universidades e empresas.”

Fabio Klein
Diretor de Desenvolvimento Tecnológico, Embraco

“O mercado brasileiro se tornou mais aberto para os produtos globais e as empresas precisaram aprender a identificar, de forma mais efetiva, as necessidades do mercado e a desenvolver processos que acelerassem o desenvolvimento de novos produtos. Foi necessária uma década de transformações para que as empresas aprendessem a importância de envolver centros de pesquisa e universidades aos seus departamentos de P&D, o que deu início à aplicação do conceito de inovação aberta no Brasil. Para a próxima década, mesmo empresas que já possuam processos bem estruturados de P&D precisarão aprimorá-los e a criação de um rico ecossistema em torno do desenvolvimento de soluções inteligentes será fundamental. A combinação de inovação e reputação de marca é o que garantirá a sustentabilidade dos negócios.”

Frederico Ramazzini Braga
Gerente de Pesquisa e Desenvolvimento,BRF

“A última década no Brasil foi marcada por um aumento quantitativo e qualitativo dos mecanismos governamentais de incentivo à P,D&I. As instituições do sistema de inovação se fortaleceram, o que contribuiu para aumentar, diversificar e internacionalizar as parcerias entre institutos de pesquisa, universidades e empresas, aprofundando trocas de conhecimento e transferência de tecnologias. De modo geral, as empresas aumentaram a confiança no sistema e passaram a utilizá-lo com mais frequência. A velocidade das mudanças obriga as empresas a se posicionarem como organizações abertas à cocriação. Tendo em vista esse cenário, podemos esperar o fortalecimento das parcerias e experiências colaborativas, que deverão ser ainda mais multidisciplinares e multifuncionais.”

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