Adaptação e crescimento por meio da inovação aberta

Quando o professor da universidade de Berkeley Henry Chesbrough publicou, dez anos atrás, o livro que popularizaria o conceito de inovação aberta, usou como base de sua argumentação um estudo pautado na observação de empresas que tentavam se adaptar à realidade que se apresentava para elas: competição acirrada, surgimento de novas tecnologias, novos modelos de negócios e novosplayers a uma velocidade assustadora e o risco de perder espaço e vendas para essas novidades. O fenômeno não era um fato isolado. Empresas enormes, que haviam investido pesado na estruturação de suas áreas de pesquisa e desenvolvimento para sair na frente com produtos e serviços inovadores se viam ameaçadas. Para competir, era preciso criar processos de colaboração e buscar reforços fora dos próprios muros.

GE criou iniciativas de inovação aberta para a sustentabilidade.

Foi em meio a esse cenário que algumas empresas criaram programas pautados na inovação aberta cujos frutos duram até hoje. Um dos exemplos é o programa Connect and Develop da P&G. Iniciado em 2001, quando 90% da inovação da empresa era feita de forma fechada, hoje mais de 50% das inovações da empresa em todo o mundo envolvem algum tipo de colaboração com o ambiente externo.

Atualmente, algumas das grandes empresas têm usado as bases da inovação aberta para criar inovações a partir de tendências que, acreditam, serão grandes desafios no futuro. Um exemplo dessa atuação é o programa Ecomagination da General Eletric (GE). A empresa estimula que gestores, empreendedores e estudantes colaborem gerando ideias para uma nova forma de utilizar a energia, segundo preocupações como eficiência e energias renováveis. Com investimento de 200 milhões de dólares, a iniciativa funciona segundo modelo de venture capital.

Inovação aberta e geração de novos negócios

Conhecido internacionalmente, o case da Eli Lilly mostra que, em vez de focar no desenvolvimento de soluções que sirvam apenas internamente, é possível criar novos negócios que atendam também o mercado de forma ampla. No final da década de 1990 e início dos anos 2000, empresa tentava melhorar o processo de geração e captação de novas ideias e criou um programa interno para participação. Aos poucos, percebeu que precisava também de ideias de fora e foi evoluindo para um modelo de inovação aberta. Ao perceber que funcionava bem e que a iniciativa poderia ter valor inclusive fora da empresa, foi criada uma startup exclusivamente para essa competência.

Adriano Jorge, da Natura: maturidade de uma rede de inovação com 200 parceiros.

Para o executivo que tomou a frente do projeto, Alph Bingham, a iniciativa e o modo como ela evoluiu está conectada com as novas formas pelas quais as pessoas se organizam e interagem atualmente. “A internet e suas capacidades abriram um leque amplo para a cooperação. Em 2000, desenvolver novas drogas da mesma forma como vinha sendo feito era absolutamente inviável. Em um novo modelo, é possível não prever, mas imaginar o futuro de uma forma mais consistente”, afirma.

Case brasileiro

No Brasil, uma das primeiras empresas a dizer publicamente que pratica inovação aberta foi a Natura. Seu relacionamento com pesquisadores externos começou em 2001 por meio de editais da Finep, CNPq e Fapesp. Desde então, começou um processo de aprendizagem e estruturação interna que viabilizasse o modelo colaborativo e, só em 2005, passou a divulgar seus programas de inovação aberta. O mais marcante, e que é mantido até hoje, é o Natura Campus, que lança editais periódicos para pesquisadores interessados em desenvolver melhorias de produtos ou novos produtos em conjunto com a empresa.

Aos poucos, a empresa expandiu sua inovação aberta para conversar também com fornecedores, prestadores de serviços e especialistas. “Hoje, temos uma rede que chega a 200 parceiros e estamos trabalhando com uma nova rede, voltada para os consumidores. Nosso desafio é fazer a colaboração avançar ao longo das etapas da inovação”, afirma o gerente de Redes e Parcerias para a Inovação da Natura Adriano Jorge. “Ao longo desses anos, fomos aprimorando o nosso olhar e a própria estrutura interna para sermos capazes de gerir esse modelo colaborativo”.

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