Cinco anos de CRI: a evolução das práticas de inovação aberta

Anderson Rossi – Fundação Dom Cabral

A experiência acumulada durante os últimos cinco anos na coordenação do Centro de Referência em Inovação da Fundação Dom Cabral, ou, simplesmente CRI, foi bastante enriquecedora e reveladora, por diversas razões. Primeiramente, pela oportunidade de poder colaborar com o crescimento das empresas participantes, no que diz respeito às práticas da gestão da inovação. Como a literatura aponta, a inovação é fruto do trabalho coletivo, e o convívio no Centro permitiu aos gestores das empresas avançarem no debate sobre as melhores práticas no tema. Merece destaque também a geração do conhecimento propiciada com o trabalho do grupo, fruto das pesquisas e experiências das empresas integrantes.

Por diversas vezes ao longo dos últimos anos, o tema inovação aberta ganhou destaque nas discussões. Nesse sentido, é interessante ressaltar que, em 2009, quando foi realizada a primeira pesquisa sobre as práticas de inovação aberta no grupo de empresas integrantes, a maioria dos respondentes, ou seja, quase 80%, declarou não ter nenhuma experiência e ou prática formal no tema. Os resultados da pesquisa também foram apresentados no seminário de inovação aberta promovido pelo Wenovate e chamou a atenção de todos os envolvidos, sobretudo, do professor Henry Chesbrough, que estava na plateia. Um bom debate foi criado em torno dos dados da pesquisa na tentativa de apontar caminhos alternativos para a adoção da prática de inovação aberta pelas empresas brasileiras. Àquela época, havia mais dúvidas e incertezas sobre o tema do que propriamente exemplos a serem apresentados.

No último mês de maio, data em que foi realizada nova pesquisa sobre as práticas do grupo em relação ao tema, os resultados surpreenderam a todos. A pesquisa mostrou que a inovação aberta já é uma realidade em mais da metade das empresas integrantes do CRI e com tendência a ampliar, na medida em que os novos desafios impostos pela competitividade obrigam as empresas a buscarem novas e melhores soluções além de suas fronteiras. Cabe destacar também a maturidade apresentada por algumas das empresas em relação ao tema, especialmente no que se refere às relações com os atores envolvidos no processo de inovação – universidades, clientes e centros de pesquisas. Outro dado interessante da pesquisa realizada é que a maioria das empresas que adotam práticas de inovação aberta priorizam as fases de desenvolvimento e pesquisa – e não a fase de ideação, como é enfatizado na literatura.

Assim, podemos afirmar que a inovação aberta, como preconizada pelo professor Chesbrough, já é uma realidade em um grupo considerável de empresas brasileiras. A via de mão dupla adotada na gestão da inovação aberta, ou seja, o fluxo de informações, conhecimento e tecnologia de dentro da empresa para o mercado e do mercado para dentro da empresa, é uma prática recorrente em muitos players, com tendência a ampliar.

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