Não há inovação sem liderança

Bruno Rondani, Wenovate

Diversas são as formas de definir inovação. Todas elas, porém, estão ligadas à mudança – especialmente ao resultado de ações deliberadas de mudança. As empresas são estruturadas para serem constantes, terem processos bem definidos e manterem a chamada máquina de desempenho em pleno funcionamento: eficiente, confiável, padronizada. Acontece que, para que sobrevivam ao longo do tempo, as empresas precisam também mudar.

Parece um contrassenso? De fato, a relação entre produtividade e inovação se edifica sobre uma tensão permanente. Forças diferentes de uma empresa a impulsionam tanto para a otimização dos processos já estabelecidos quanto para a revisão de suas atividades. Nesse cabo de guerra, a resistência da máquina de desempenho tende a ser maior. Para que as mudanças aconteçam, é preciso que surjam líderes capazes de mobilizar e redirecionar a inovação.

Foi justamente na percepção do paradoxo em que vivem que as empresas criaram cargos de gestão da inovação. Atribui-se a esses profissionais a missão de garantir que os novos fluxos de ideias e as iniciativas para mudanças sobrevivam até a fase de implantação. Eles precisam sustentar um processo apesar das perdas imediatas certas que causa aos demais gestores enquanto propõe ganhos futuros incertos. Espera-se que eles sejam líderes nesse processo.

Engana-se aquele que acredita, porém, que a liderança para a inovação está restrita a cargos. Em um mundo cada vez mais em rede, líderes capazes de mobilizar para a inovação podem emergir de qualquer lugar: seja da alta direção ou do chão de fábrica, seja da área de P&D ou do marketing, seja um colaborador ou um parceiro externo. Esses líderes podem estar em startups, entre os clientes, entre consultores ou em qualquer outra instância com a qual a organização se relaciona.

As corporações existem em meio a um contexto de mudanças rápidas e radicais no qual a tomada de decisões não é um processo simples. Liderar para a inovação nesse meio, portanto, não é um problema técnico, mas um desafio adaptativo. O problema técnico é aquele em que se pressupõe que existe um repertório pré-concebido para agir. O desafio adaptativo, por sua vez, é aquele no qual se entende que as respostas precisam ser cocriadas.

Os estudos sobre liderança mostram que essa contraposição de cenários está intimamente ligada à diferenciação entre liderança e autoridade. Quando se entende a inovação ligada à autoridade, a postura que se espera é de alguém que toma a frente dos problemas no sentido de eliminar o caos e as tensões, esconder problemas e prover respostas práticas e objetivas. Nesse entendimento, busca-se alterar o mínimo possível a partir de soluções técnicas para os problemas que surgem e com o mínimo impacto.

Por outro lado, o líder, entendido como integrante de uma equipe – e não alguém que está acima dela -, tem nos desafios o seu material de trabalho. Ele orquestra e compartilha as dificuldades com os parceiros e, na busca por respostas, orienta a proposição de perguntas. Entende que os desafios são difíceis de identificar. Portanto, suas soluções precisam ser construídas e podem demandar mudanças profundas. É por isso que o líder, no contexto da inovação, tem um caráter fortemente empreendedor, sendo ele o dono da corporação ou não.

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