Por que não faz sentido falar de inovação

ed030_art

por Bruno Rondani, adaptado de canção de Ricardo Arjona

Falar de inovação estimula meus sentidos e me inspira. Ontem, porém, em frente ao computador, com tantas ideias e aprendizados na cabeça, comecei a pensar e neguei-me a escrever. Porque falar e escrever sobre inovação é redundar, é melhor atuar. Logo, algo me disse que a única forma de não redundar é dizer a verdade, dizer que para a inovação o que importa é que atuemos, não que falemos. Dizer que inovação é mais do que oito letras formando uma palavra da moda, que inovação é verbo, não substantivo.

Gestão da inovação é mais que uma simples e vã teoria. Não faz sentido ficar lendo Schumpeter, teoria evolucionista, manuais da OCDE, cartilhas e apresentações de consultoria ao longo dos dias. Tudo que ali está escrito se resume em ação e o que vale é praticar.

Não se pode esquecer que a inovação se leva na cultura e na atitude. Inovação não se faz tentando convencer um comitê de senhores com medo de mudanças, que pretendem pagar a conta com subvenção econômica ou crédito subsidiado.

Inovação não se faz tornando-se membro ativo de associações e recheando currículos de títulos e vínculos institucionais. Inovação é mais do que depositar patentes, tentar cobrar royalties e fazer disto alarde no relatório anual. Os competidores sabem, no fundo, que muitas vezes lançar desafios na internet não passa de distração. Inovação é mais que um mural na parede, com um fluxograma para mostrar aos auditores e fiscais da receita. O inovador transforma em atos e não em cargos todos os seus discursos.

As agências de fomento dizem que é pecado não contratar doutores no P&D. Especialistas em inovação têm tão poucas ideias que inventam inúmeras políticas e programas de fomento à inovação que repetem paradigmas obsoletos. Lançam mais editais do que apresentam casos de sucesso. Falam insistentemente em incremento de investimentos em inovação nas empresas e sabem que as métricas comumente usadas são um engano.

A inovação tem ojeriza do cientista que prefere ficar pobre a compartilhar uma descoberta, do executivo que tem medo de errar e faz sempre tudo igual, do empreendedor que se obstina em suas ideias e invenções e não consegue adaptar-se, de investidores de capital empreendedor que não querem arriscar.

Desde cedo aprendi que cartilha de inovação não é nada mais que um método, com o título “Proibido pensar que tudo já está escrito”. Senhores, compartilhem as ideias, as fronteiras não servem à inovação.

Desejamos a todos um 2014 mão na massa, com menos discursos e mais ações, com menos competição pelo velho e mais colaboração para o novo!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *