Deu praia: o verão da Open Innovation e das Open Startups

Enquanto o venture Capital entra no inverno, enfrentando estagnação, incerteza e redução de investimentos em nível global, a Open Innovation segue em pleno verão, amadurecendo e expandindo cada vez mais. 

É tempo de prosperidade para as open startups! É isso mesmo que você leu! Se, antes da pandemia, a open innovation se mostrava cada vez mais importante para empresas de todos os setores e todos os portes, nos últimos anos, ela passou a ser essencial, e até mesmo obrigatória. 

As open startups – aquelas que se abrem para as corporações em movimentos de open innovation – estão ganhando cada vez mais espaço e oportunidades para impactar os mercados e a sociedade com suas inovações. Ao lado delas, consolidou-se uma comunidade de corporações líderes, executivos cada vez mais capacitados para o relacionamento com startups e uma série de outros atores que fomentam essas relações. 

A consequência disso: nas últimas décadas, vimos o fortalecimento de um ecossistema de inovação no país, com bases mais sólidas, sustentáveis e pautadas em uma cultura cada vez mais aberta à colaboração, gerando resultados e impactos positivos para mercado e sociedade.

Segundo os dados do Ranking 100 Open Startups, o movimento de open innovation no Brasil cresceu mais de 60 vezes entre 2016 e 2021, e o ritmo continua acelerado em 2022, com nova projeção de crescimento. 

Na contramão, está o venture capital. Especialistas têm denominado o momento de estagnação, incerteza e redução do ritmo de investimentos como o “inverno do venture capital”.  Após um ciclo de abundância na última década, o venture capital mais uma vez é afetado por crises financeiras. A combinação de mercados financeiros turbulentos e inflação traz um momento crucial de incertezas e mudanças no cenário do venture capital.  

Leia também: Open innovation supera venture capital na geração de valor para startups

O verão da Open Innovation e das Open Startups

Se a situação não está das melhores no universo do venture capital, a realidade de estagnação está longe de atingir as open startups. Esse é o fenômeno real da open innovation! 

A geração de valor é um diferencial! A partir dessa visão, corporações líderes têm percebido que inovação não é necessariamente uma corrida de valuation – a força está no impacto que as inovações das open startups geram para a sociedade. Assim, a open innovation passou a ser a principal estratégia de inovação adotada por corporações líderes, que buscam, no relacionamento com o ecossistema de inovação, os recursos necessários para sustentar sua transformação e crescimento por meio da inovação, seja para construir suas plataformas de negócios ou participando das existentes.

“Inovação passou a ser cada vez mais um produto de ecossistema. No passado, houve um movimento organizacional das empresas de concentrar seus esforços de inovação em centros de P&D. Em paralelo, o venture capital emergiu fazendo apostas em portfólios de startups, e foi muito bem sucedido nisso. Mas, agora, são as empresas que estão liderando a construção de ecossistemas de inovação em torno dos seus negócios e deixando o venture capital obsoleto”, afirma Bruno Rondani, CEO da 100 Open Startups.

Com um olhar cada vez mais atento para fora, as corporações têm estruturado seus programas, processos e veículos de open innovation. Um dos movimentos mais importantes observados é a preocupação cada vez maior das empresas de capacitar seus executivos para criar e capturar valor com atores externos. Esse esforço em dar às áreas de negócios a capacidade de se relacionar diretamente com o ecossistema de inovação de forma mais descentralizada tem aumentado exponencialmente a intensidade de relacionamentos, a qualidade das startups atraídas e o desempenho em inovação. 

Como movimento natural de evolução, o corporate venture capital (CVC) tem sido uma das estratégias de open innovation que mais cresce nos últimos anos. As corporações estão ocupando um espaço cada vez maior como investidores de startups, a partir da criação de fundos próprios para turbinar suas estratégias de inovação. 

Neste ano, cerca de R$ 1,5 bilhão já foram investidos em startups de diferentes portes e setores, a partir de fundos de CVC criados por grandes empresas brasileiras, como B3, Locaweb, TOTVS, Renner e Valid, segundo a Startups

Não é à toa que, nesse contexto, executivos de grandes corporações têm demonstrado um interesse cada vez maior em se tornarem mentores e investidores pessoa física em startups. Isso tem como reflexo o aumento da prática de equity crowdfunding. No Brasil, essa modalidade de investimento segue crescendo exponencialmente.

Veja: CVM 88: Qual é o impacto das novas regras de equity crowdfunding para as Open Startups?

E a maré continuará em alta!

Open Innovation com Startups mais do que dobra a cada ano, e não há sinais de que esse crescimento vai parar tão cedo

Os anos de 2020 e 2021 foram especialmente desafiadores para a economia brasileira, por conta dos impactos da pandemia da Covid-19 e da recessão econômica. Ainda assim, foi possível notar um grande aumento na atividade de open innovation entre corporações e startups nesses anos. Em 2021, foram registrados 26.348 relacionamentos de open innovation, e os números de 2022 já se mostram ainda maiores.

A intensidade de open innovation aumenta de acordo com a curva de aprendizado das empresas, conforme elas se desenvolvem na prática e se relacionam mais com startups e com a adesão de cada vez mais empresas à prática da open innovation

O estudo que previu esse crescimento (e acertou) levantou outros insights animadores sobre o ecossistema de inovação e como a estratégia tem feito a diferença para alavancar negócios.

 

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